A paralisação do governo dos Estados Unidos, iniciada nesta quarta-feira (1º/10), expõe as dificuldades políticas enfrentadas por Donald Trump em seu novo mandato. O impasse remete ao shutdown de 2018, quando o então presidente insistiu em recursos para a construção do muro na fronteira com o México, uma de suas principais promessas de campanha. Agora, a repetição dessa estratégia ocorre em um momento de delicada situação diplomática.
Esta é a 15ª paralisação desde 1981 e a segunda sob a gestão de Trump. O bloqueio orçamentário afeta diretamente 750 mil servidores públicos, que estão sem remuneração, e causa a paralisação de serviços não essenciais em todo o país. Parques nacionais foram fechados, voos sofrem atrasos e agências governamentais operam em regime de contingência.
Em 2018, Trump exigiu US$ 5,7 bilhões para a construção do muro na fronteira com o México, visando conter a imigração ilegal. A falta de acordo com a então presidente da Câmara, Nancy Pelosi, resultou em um shutdown de 35 dias, o mais longo da história dos EUA, com prejuízo estimado em US$ 3 bilhões para a economia.
Atualmente, o novo impasse gira em torno de programas de assistência médica, com democratas condicionando a aprovação do orçamento à sua manutenção. Republicanos, por outro lado, defendem que saúde e financiamento federal sejam tratados separadamente. O debate impacta diretamente a vida de milhões de americanos e aumenta o custo político do bloqueio.
Ao **Metrópoles**, o jornalista Fernando Hessel observou que Trump revive erros do passado em um ambiente político ainda mais complexo. “Em 2018, o shutdown foi provocado pela obsessão de Trump pelo muro na fronteira com o México. Agora o impasse é em torno da saúde e de programas sociais, que atingem milhões de americanos”, afirmou Hessel, ressaltando a crescente pressão econômica, política e diplomática sobre a Casa Branca.
Fonte: http://www.metropoles.com






