Isenção do IR até R$5 mil: Câmbio forte e endividamento podem neutralizar impacto na inflação, dizem especialistas

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A proposta de ampliar a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil reacendeu o debate sobre seus possíveis impactos na demanda e, consequentemente, na inflação. No entanto, economistas argumentam que a realidade é mais complexa e que fatores como o câmbio favorável e o alto endividamento das famílias podem mitigar esse efeito.

Segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, a medida deve ser vista como uma reorganização tributária, buscando maior justiça fiscal. Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp, destaca que o câmbio tem desempenhado um papel crucial na desaceleração da inflação, mesmo com o mercado de trabalho aquecido. “Se o dólar continuar cedendo, tende a compensar as pressões de inflação”, analisa Rocha.

Ainda que a isenção possa impulsionar a atividade econômica, o elevado endividamento das famílias pode limitar o aumento do consumo, avalia André Perfeito, da APCE. “Eu não compro pelo valor de face essa tese porque você tem um nível de endividamento entre as famílias muito elevado, elas estão alavancadas. Então, não sei o quanto disso vai se transformar em demanda efetivamente em termos agregados”, observou.

Além disso, a indústria possui capacidade ociosa que pode ser utilizada para atender a um eventual aumento da demanda, evitando pressões inflacionárias. Dados da Fiesp indicam que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação paulista está em 79,4%, sinalizando espaço para expansão da produção.

Diante desse cenário, especialistas acreditam que o Banco Central deve manter sua postura cautelosa, aguardando a consolidação dos efeitos do aperto monetário na economia. A combinação de câmbio apreciado, endividamento das famílias e capacidade ociosa da indústria pode neutralizar o impacto da isenção do IR na inflação, evitando mudanças na política monetária.

Fonte: http://www.infomoney.com.br