Dólar Cede e Bolsa Declina: Falas de Galípolo e Diálogo Lula-Trump Agitam o Mercado

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O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de ajustes nesta segunda-feira, com o dólar recuando 0,47%, cotado a R$ 5,31. Simultaneamente, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia em baixa de 0,41%, atingindo 143.608 pontos. As oscilações refletem uma combinação de fatores, desde a política monetária interna até o cenário geopolítico internacional.

Analistas apontam três elementos cruciais que influenciaram o comportamento dos mercados. Em primeiro lugar, as declarações firmes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a manutenção de juros elevados no Brasil. Em segundo, a valorização de moedas de países emergentes, impulsionada pela alta dos preços das commodities. Por fim, a repercussão da conversa inicial entre os presidentes Lula e Trump.

A ligação entre Lula e Trump, com duração de 30 minutos, despertou atenção no mercado. Segundo informações do governo brasileiro, o diálogo ocorreu em tom cordial, com Lula solicitando a Trump a revisão de tarifas e restrições impostas a produtos e autoridades brasileiras. Em contrapartida, Trump designou o Secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com representantes do governo brasileiro.

No âmbito da política monetária, Galípolo reiterou, em evento da Fundação Fernando Henrique Cardoso (FHC), que a taxa Selic permanecerá em patamar elevado por um período prolongado. O presidente do BC também enfatizou que a meta de inflação de 3% ao ano não deve ser atingida até 2028, conforme projeções do Boletim Focus. “A meta é 3%. Não foi dada a liberdade ao Banco Central de interpretar esse comando legal de forma diferente”, pontuou Galípolo.

No mesmo evento, Armínio Fraga, ex-presidente do BC, criticou a política fiscal do governo Lula, classificando-a como “suicida”. Segundo Fraga, a atual situação das contas públicas pode desencadear uma crise de grandes proporções no país. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, destacou que, embora o mercado tenha acompanhado a conversa entre Lula e Trump, as declarações de Galípolo foram o principal fator a influenciar o pregão.

De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a queda do dólar foi impulsionada pela combinação de fatores favoráveis ao real, incluindo a perda de força da moeda americana frente a pares emergentes e a alta das commodities. “No cenário doméstico, o discurso firme de Galípolo, reafirmando o compromisso com a meta de inflação de 3% e defendendo juros restritivos por mais tempo, reforçou o diferencial de juros do Brasil em relação ao exterior”, explicou Shaini.

Adicionalmente, o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, apresentou uma leve queda na projeção da inflação para 2025, de 4,81% para 4,80%. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também divulgou dados da balança comercial de setembro, que registrou um superávit de US$ 2,99 bilhões, embora 41% menor em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda anual, Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, avaliou o resultado como positivo, impulsionado pelo desempenho favorável com a Argentina e a China.

Fonte: http://www.metropoles.com