A França mergulhou em uma nova crise política com a renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, menos de 24 horas após a controversa nomeação de seu governo. O anúncio, feito na segunda-feira (6/10), foi prontamente aceito pelo presidente Emmanuel Macron, intensificando o clima de instabilidade no país.
A queda relâmpago do governo Lecornu, o terceiro em um ano, expõe a fragilidade da coalizão governista. Diante da iminente ameaça de colapso, o premiê optou por antecipar o inevitável, declarando que “não se pode ser primeiro-ministro quando não existem as condições para governar”.
Em busca de uma solução para a crise, Macron incumbiu Lecornu de conduzir negociações emergenciais com líderes parlamentares, concedendo um prazo até quarta-feira para “definir uma plataforma para ação e estabilidade para o país”, conforme comunicado do Palácio do Eliseu.
Segundo Lecornu, a instabilidade foi causada pelo descontentamento dentro da aliança governista, especialmente em relação à nomeação de Bruno Le Maire para o Ministério da Defesa. A escolha desagradou o partido conservador Republicanos (LR), aliado de Macron, que viu a medida como uma quebra de promessa.
A insatisfação dos conservadores com Le Maire, um ex-membro do LR que se juntou a Macron em 2017, reflete divergências sobre a política orçamentária do governo. A oposição, por sua vez, criticou a continuidade de grande parte da equipe anterior, alegando falta de renovação.
Diante do impasse, todas as atenções se voltam para Macron, que enfrenta um cenário complexo com três opções delicadas. A nomeação de um novo primeiro-ministro enfrenta resistência na Assembleia Nacional, dividida entre a esquerda, o bloco centrista/macronista e a ultradireita.
A dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições legislativas, embora consideradas, representam um risco para Macron, com a possibilidade de ascensão da ultradireita ao poder. Uma terceira opção, a renúncia do próprio presidente, é reiteradamente descartada.
A crise orçamentária, com a França sob pressão para controlar seus gastos públicos, e a iminente corrida para a sucessão de Macron em 2027, são fatores que intensificam a instabilidade política. A disputa por espaço e a falta de consenso dificultam ainda mais a busca por soluções no parlamento.
Lecornu lamentou a postura dos partidos políticos, afirmando que “os partidos políticos continuam a adotar uma postura como se todos tivessem maioria absoluta na Assembleia Nacional”. Ele apelou para que “é preciso sempre colocar o país à frente do partido”.
Fonte: http://www.metropoles.com






