Crise na França: Macron Consulta Líderes e Dissolução do Parlamento Volta a Assombrar

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A crise política na França se agudiza, e o fantasma de uma nova dissolução da Assembleia Nacional paira sobre o governo de Emmanuel Macron. O presidente francês convocou para esta terça-feira (7/10) reuniões com Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia, e Gérard Larcher, presidente do Senado, reacendendo especulações sobre a possibilidade de novas eleições legislativas. O protocolo é similar ao adotado antes da dissolução anunciada em junho, intensificando o clima de incerteza no cenário político francês.

Segundo o artigo 12 da Constituição francesa, o presidente deve consultar os líderes das duas casas do Parlamento antes de dissolver a Assembleia Nacional, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. As audiências com Braun-Pivet e Larcher ocorreram separadamente, conforme reportado pela rádio francesa RTL. A movimentação ocorre em meio a crescentes pressões sobre Macron, após a renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

A urgência em encontrar uma solução para a crise é palpável. Após a renúncia de Lecornu, Macron concedeu um prazo de 48 horas para que ele realizasse novas consultas com líderes partidários em uma última tentativa de formar um governo. A nomeação de Lecornu, que prometia “rupturas”, não surtiu o efeito desejado, já que a composição do Executivo anunciado no domingo (5/10) era praticamente idêntica à anterior.

A possibilidade de dissolução do parlamento divide opiniões. Aurore Bergé, porta-voz do governo, minimizou a possibilidade em entrevista à BFM TV, argumentando que “ninguém deseja” novas eleições legislativas, “com exceção dos partidos França Insubmissa e Reunião Nacional”. Contudo, até mesmo aliados de Macron manifestam preocupação com a instabilidade política.

Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro durante o primeiro mandato de Macron, sugeriu uma eleição presidencial antecipada como a melhor forma de “sair de forma ordenada e digna de uma crise política que prejudica o país”. A pressão sobre Macron aumenta, com diversas forças políticas buscando alternativas para superar o impasse e evitar mais instabilidade.

Enquanto isso, o primeiro-ministro demissionário, Sébastien Lecornu, também se reuniu com os presidentes das duas casas do Parlamento e com líderes de partidos centristas. Partidos de esquerda, como o Partido Socialista e os Ecologistas, também se reunirão com Lecornu para discutir possíveis soluções, incluindo a formação de um governo de “coabitação” com um “primeiro-ministro de esquerda”.

Em contrapartida, o Reunião Nacional e o França Insubmissa se mostram irredutíveis, recusando o convite para se encontrar com Lecornu. Marine Le Pen, líder da extrema direita, considera a dissolução da Assembleia Nacional “absolutamente incontornável”, enquanto Jean-Luc Mélenchon, chefe da esquerda radical, defende “a saída” do presidente Macron.

Diante da crescente pressão, a ministra da Educação, Élisabeth Borne, sinalizou a possibilidade de suspender a controversa reforma da Previdência, implementada em 2023 sem votação na Assembleia Nacional. “Se essa for a condição para a estabilidade do país, devemos examinar as modalidades e as consequências concretas de uma suspensão até o debate que deverá ocorrer na próxima eleição presidencial”, afirmou Borne ao jornal Le Parisien.

A crise política também preocupa instituições econômicas. Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), declarou que todas as instâncias estão “acompanhando atentamente a evolução atual” da situação política francesa. Patrick Martin, presidente da principal organização patronal francesa, o Medef, expressou sua “indignação”, alertando para a perda de competitividade do país em meio à instabilidade política.

Fonte: http://www.metropoles.com