A situação financeira das famílias brasileiras se deteriorou em setembro, com a inadimplência atingindo o patamar mais alto da série histórica, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revelou que 30,5% das famílias possuíam contas em atraso no mês, um sinal preocupante para a economia nacional.
O levantamento da CNC também apontou para um recorde de 13% das famílias que admitem não ter condições de quitar suas dívidas atrasadas, indicando uma crescente fragilidade financeira. A pesquisa da CNC “aponta um quadro de crescente fragilidade financeira”, segundo a entidade, com um aumento no número de famílias com contas a vencer, que atingiu 79,2% em setembro.
Além disso, o comprometimento da renda familiar com dívidas permaneceu em níveis elevados. Quase 19% dos consumidores dedicavam mais da metade de seus rendimentos ao pagamento de dívidas em setembro. Este cenário acende um alerta sobre a capacidade de consumo e a saúde financeira dos lares brasileiros.
Um reflexo do agravamento da situação é o tempo de inadimplência, com quase metade (48,7%) das famílias com dívidas em atraso nessa condição há mais de 90 dias. Conforme Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, isso reflete “o agravamento dos prazos de inadimplência e o efeito dos juros sobre o montante a ser pago”.
Analisando por faixas de renda, o endividamento cresceu mais entre as famílias de menor poder aquisitivo, com renda de até três salários mínimos. Nesse grupo, a proporção de endividados saltou de 81,1% em agosto para 82% em setembro, evidenciando a dificuldade enfrentada pelas classes mais vulneráveis para manter as contas em dia.
Diante deste cenário, a CNC projeta um aumento do endividamento e da inadimplência até o final do ano, reforçando a necessidade de medidas que auxiliem as famílias a renegociarem suas dívidas e recuperarem a saúde financeira.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






