A escritora, poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, aos 72 anos, foi agraciada com o prestigiado Prêmio Camões 2025. A honraria, considerada a mais importante da língua portuguesa, é concedida pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), ligada ao Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o governo de Portugal. O reconhecimento vem acompanhado de um prêmio de 100 mil euros, figurando entre os mais valiosos do mundo literário.
O anúncio da vencedora foi feito após uma reunião virtual do júri, composto por membros do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Segundo o júri, a premiação de Ana Paula Tavares celebra “a sua fecunda e coerente trajetória de criação estética e, em especial, o seu resgate de dignidade da Poesia”. Sua obra, conforme o júri, alcança uma dimensão antropológica relevante em perspectiva histórica, marcada por um lirismo sem concessões e compromissos com a crônica e a ficção narrativa.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, expressou sua admiração pela escolha de Ana Paula Tavares, celebrando a força e a beleza da literatura lusófona. “Sua poesia, tecida de memória, resistência e afeto, revela a potência das vozes africanas e femininas que enriquecem os patrimônios culturais”, afirmou a ministra, ressaltando os laços profundos que unem Brasil, Angola e todos os países da lusofonia através da arte e da palavra.
Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, enfatizou o papel de Ana Paula Tavares como uma “representante extraordinária” da lusofonia, vocação central do Prêmio Camões. “Poeta, ensaísta, pesquisadora, ela reúne todas as virtudes que deságuam num compromisso ético. Seu olhar é marcado pela urgência, ao reivindicar as questões da África, do Brasil e de Portugal, atenta aos grandes desafios contemporâneos”, declarou Lucchesi.
Nascida na província angolana de Huíla em 1952, Ana Paula Tavares construiu uma sólida carreira acadêmica e literária. Com mais de dez livros publicados, incluindo poesia, crônicas e romances, ela é autora de obras como ‘Ritos de Passagem’ (1985) e ‘A Cabeça de Salomé’ (2004). Em 2004, conquistou o Prêmio Mário Antônio de Poesia da Fundação Calouste Gulbenkian pelo livro ‘Dizes-me coisas amargas como os frutos’.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






