Em abril de 2025, o silêncio de Maria Aparecida Rodrigues gerou angústia na filha, Thayná. Após horas de tentativas frustradas de contato, Thayná pediu à tia, Maria da Luz, que fosse até a casa da mãe em Guarulhos. Lá, encontraram Maria Aparecida sem vida, cena que desencadeou uma investigação complexa e perturbadora.
No local do crime, uma mulher identificada como Carla surgiu, alegando ter conhecido a vítima em um aplicativo de relacionamento. Aparentemente prestativa, Carla esperou a remoção do corpo, mas desapareceu antes do velório. A surpresa veio na delegacia: “Carla” era, na verdade, Ana Paula Veloso Fernandes, suspeita de envenenar e matar Maria Aparecida e outras três pessoas.
O caso revela uma série de homicídios com um padrão assustador: Ana Paula, uma estudante de Direito de 36 anos, parecia orbitar em torno das vítimas. Em um dos casos, ela chegou a acionar a polícia, demonstrando uma aparente frieza que intrigou os investigadores. As autoridades a consideram uma serial killer em potencial.
As investigações apontam para um período de intensa atividade criminosa, com quatro homicídios em menos de quatro meses. As vítimas incluem Marcelo Hari Fonseca, encontrado morto em Guarulhos após Ana Paula ligar para a polícia relatando um mau cheiro, e Neil Corrêa da Silva, que faleceu após consumir uma feijoada supostamente envenenada em Caxias.
O tunisiano Hayder Mhazres foi a última vítima atribuída a Ana Paula até o momento, falecendo após passar mal em São Paulo. Mais uma vez, a estudante de Direito estava presente, acompanhando-o até o hospital e comunicando a morte à polícia. A proximidade constante de Ana Paula com as vítimas levanta questionamentos sobre sua motivação e estado mental.
“Ela não parece viver em um mundo alterado e, sim, ter consciência dos atos”, analisa o psiquiatra forense Talvane de Moraes, que ressalta não ter estudado o caso. “Acionar as autoridades pode ser uma forma que ela encontrou de buscar impunidade e até colocar a culpa em uma pessoa.”
O delegado Halisson Ideiao Leite, responsável pelo caso, descreve Ana Paula como uma pessoa extremamente manipuladora, que tentou controlar a narrativa desde o início. “É uma pessoa extremamente manipuladora. Desde o início tentou controlar a narrativa, inclusive conosco, indo à delegacia, perguntando sobre o andamento do inquérito e se apresentando sempre como vítima”, explica o delegado.
A investigação revelou que Ana Paula e sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, também presa, ofereciam serviços macabros por cerca de R$ 4 mil por morte. Segundo a polícia, em um dos casos, Ana Paula viajou para o Rio de Janeiro para tentar matar duas pessoas, conseguindo executar um dos assassinatos.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






