Apesar do cenário macroeconômico desafiador, com taxas de juros elevadas, o mercado de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) demonstra notável resiliência. As captações em 2025 se mantêm aquecidas, sinalizando um apetite constante dos investidores e a capacidade do setor de se adaptar às adversidades.
Gestores de recursos avaliam que o desempenho é positivo, especialmente considerando a preferência atual por renda fixa. A expectativa de queda na taxa Selic alimenta o otimismo, prometendo impulsionar ainda mais o setor nos próximos meses. As captações já superaram R$ 31,5 bilhões até setembro, ultrapassando o total de 2023 e alcançando 71% do volume total de 2024.
“As captações neste ano têm sido surpreendentes”, destaca André Freitas, sócio-fundador da Hedge Investments. “Quando se viu que o juro ficaria alto por muito tempo, ninguém imaginava que as captações se manteriam nesse tamanho”. A projeção é que, mantendo o ritmo, as captações podem atingir R$ 40 bilhões até o final do ano.
Com a Selic em trajetória de queda, a tendência é que as cotas dos FIIs se valorizem na bolsa de valores, abrindo novas oportunidades de captação. Essa dinâmica é tradicional no mercado de FIIs, conforme a taxa básica de juros diminui. Segundo a Hedge Investments, há cerca de R$ 25 bilhões em ofertas protocoladas que devem se concretizar em breve.
O Índice de Fundos Imobiliários (Ifix) já acumula alta de 15% no ano, impulsionando alguns negócios. Máximo Lima, sócio-fundador da HSI Investimentos, acredita que a queda dos juros trará um fôlego adicional ao mercado. “Se o juro cai, já dá uma animada. O valor das cotas reage, melhora o ambiente para a compra e venda de ativos. Isso pode abrir uma janela para os fundos saírem atrás de captações”, afirma.
Os fundos de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), conhecidos como ‘fundos de papel’, lideram as captações, representando 33% do volume total (R$ 10,4 bilhões). A atratividade desses fundos reside na sua natureza de renda fixa, que investe em dívidas de empresas do setor imobiliário.
Jorge Nobre, líder de negócios imobiliários da CVPAR, observa que o crescimento dos fundos de CRIs também reflete a dificuldade das incorporadoras em obter crédito bancário. “As empresas vão ao banco tomar o financiamento à produção e encontram um custo maior e escassez de recursos disponíveis. O banco está mais seletivo em dar crédito”, explica.
Para driblar os desafios e impulsionar o crescimento, os FIIs têm adotado novas estratégias para gerar liquidez. Uma delas é a aceitação de imóveis como forma de pagamento na emissão de cotas. Essa abordagem permite que os vendedores troquem ativos de baixa liquidez por cotas negociadas em bolsa, enquanto os fundos expandem seus portfólios sem a necessidade de capital novo.
O TRX Real Estate (TRXF11) é um dos fundos que mais tem utilizado essa estratégia. Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX Investimentos, relata o sucesso da iniciativa: “O que aconteceu depois da última emissão foi que vários proprietários de imóveis passaram a nos procurar, querendo replicar o que havíamos feito na décima primeira emissão”.
Outra estratégia que ganhou popularidade é a oferta de cotas em classes sênior e subordinada. Essa estrutura combina fluxos previsíveis com correção inflacionária na classe sênior, atraindo investidores que buscam segurança e rentabilidade. “É como pegar o imóvel para usar como instrumento de renda fixa, garantindo a rentabilidade”, resume André Freitas.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






