Os fundos de renda fixa demonstraram um forte poder de atração em 2024, acumulando uma captação líquida de R$ 150,2 bilhões entre janeiro e setembro. Esse desempenho expressivo reflete o cenário de juros altos no Brasil, com a taxa Selic mantida em 15% desde junho, tornando os investimentos em renda fixa particularmente atraentes.
A busca por segurança e rentabilidade, combinada com a isenção de Imposto de Renda em algumas classes de ativos, tem direcionado o fluxo de investidores. Paralelamente, o desempenho menos favorável de fundos multimercado e de ações, que registraram captações negativas de R$ 73,3 bilhões e R$ 50,4 bilhões, respectivamente, contribuiu para o destaque da renda fixa.
“Em nossa visão, os juros altos e a isenção tributária têm levado muitos investidores a evitar correr riscos. A rentabilidade da renda fixa já é suficientemente alta, e os próprios assessores de investimento têm recomendado isso”, destaca Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial.
Ainda segundo Eduardo Solamone, diretor de Relação com o Investidor da Sol Agora, as discussões em torno da tributação de diferentes classes de ativos também influenciaram a decisão dos investidores em antecipar aplicações em produtos com isenção fiscal. Embora a proposta não tenha avançado, o debate gerou um impacto notável no mercado.
Dentro do universo da renda fixa, os fundos que investem em ativos isentos, como debêntures incentivadas, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs, ganharam ainda mais relevância. Além da rentabilidade atrativa e da isenção de impostos, essa preferência reflete uma postura mais conservadora dos investidores, motivada por recentes eventos de recuperação judicial e preocupações com a inadimplência.
“Depois de alguns eventos negativos de crédito como Ambipar, Braskem e os riscos associados ao Banco Master, muitos investidores passaram a evitar riscos”, explica Siqueira. “Neste sentido, as pessoas estão buscando debêntures incentivadas de empresas com *rating* alto, como Petrobras, e evitando empresas pequenas, desconhecidas”.
Olhando para o futuro, o mercado financeiro antecipa um possível ciclo de queda da taxa Selic, impulsionado por sinais de arrefecimento da inflação. Essa expectativa pode influenciar a alocação de recursos, com investidores buscando alternativas de maior risco, como fundos de ações e multimercado.
“Em momentos de queda da Selic, os fundos de ações e multimercados costumam apresentar desempenho mais forte. Acreditamos que este padrão deve se repetir nos próximos meses. As pessoas vão voltar para os fundos de ações e multimercados nos próximos meses à medida que a taxa Selic caia”, afirma Siqueira. No entanto, algumas projeções já apontam para um possível adiamento do corte da Selic devido a novas medidas econômicas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






