Sanae Takaichi, uma figura controversa conhecida por sua postura nacionalista e admiração por Margaret Thatcher, ascendeu ao cargo de primeira-ministra do Japão. Sua eleição, confirmada em votação parlamentar, marca um momento histórico para o país, embora sua trajetória e posicionamentos políticos já estejam gerando debates acalorados.
Takaichi conquistou a vitória após ser eleita líder do Partido Liberal Democrático (PLD), legenda governista. Na votação parlamentar, obteve 237 dos 465 votos, superando Yoshihiko Noda, do Partido Democrático Constitucional (PDC), que ficou em segundo lugar com 149 votos. A fragmentação da oposição facilitou sua ascensão, consolidada por um acordo de coalizão com o Partido da Inovação do Japão (Ishin).
Assumindo o cargo aos 64 anos, Takaichi enfrenta um cenário político desafiador, sendo a quinta líder nacional em cinco anos. Sua agenda inicial inclui a recepção do presidente dos EUA, Donald Trump, em solo japonês, um encontro que promete gerar repercussão internacional.
Admiradora declarada de Margaret Thatcher, Takaichi personifica a ala ultraconservadora da política japonesa. Defensora da estratégia econômica “abenomics”, implementada pelo falecido premiê Shinzo Abe, ela também é uma crítica ferrenha da China e figura constante no controverso Santuário Yasukuni, local que homenageia os mortos na guerra, incluindo criminosos de guerra.
Antes de trilhar o caminho da política, Takaichi teve uma juventude peculiar, tocando bateria em uma banda de heavy metal. Descrevendo-se como workaholic, ela prioriza o trabalho em detrimento da vida social. “Vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar”, declarou, gerando reações diversas em relação ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Apesar de prometer um governo com maior participação feminina, Takaichi nomeou apenas duas mulheres para seu gabinete inicial de 19 ministros, levantando questionamentos sobre seu compromisso com a igualdade de gênero. O Japão ainda ocupa uma posição baixa no ranking global de igualdade de gênero, com apenas 15% das cadeiras na câmara baixa do parlamento ocupadas por mulheres.
Embora apoie políticas públicas voltadas para a saúde da mulher, Takaichi mantém posições conservadoras em relação a questões como a sucessão exclusivamente masculina na família imperial e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sua visão revisionista da história e resistência em reconhecer as atrocidades japonesas durante a guerra também geram controvérsia.
A recuperação da economia japonesa e o declínio demográfico representam desafios cruciais para o governo Takaichi. Sua postura favorável ao aumento dos gastos públicos, seguindo o exemplo de Shinzo Abe, impulsionou a bolsa de valores de Tóquio, mas a efetividade de suas políticas ainda é incerta.
Embora tenha sido uma crítica ferrenha da China no passado, Takaichi tem adotado uma postura mais ponderada em relação ao país, atenuando as tensões diplomáticas. No entanto, seu apoio a Taiwan permanece firme, indicando uma complexa dinâmica nas relações com a região. A professora Mieko Nakabayashi, da Universidade Waseda, resume a incerteza em torno de sua política externa: “É difícil prever sua abordagem… Se ela cumprir suas promessas, a segurança do Japão pode ser ameaçada”.
Fonte: http://www.metropoles.com






