Em uma decisão que sacode o cenário político colombiano, o Tribunal Superior de Bogotá revogou, nesta terça-feira (21/10), a prisão do ex-presidente Álvaro Uribe. Condenado por corrupção passiva e fraude processual, Uribe havia se tornado o primeiro ex-presidente do país a ser sentenciado criminalmente. A decisão da corte superior, no entanto, muda drasticamente o rumo do caso.
A principal justificativa para a anulação da condenação reside na ilegalidade das escutas telefônicas que serviram de base para as acusações. O Tribunal Superior considerou que as provas obtidas por meio dessas escutas não poderiam ser utilizadas no processo, invalidando assim a condenação anterior imposta a Uribe. Essa reviravolta levanta novas questões sobre a condução da investigação e a validade das evidências apresentadas.
Álvaro Uribe, que governou a Colômbia entre 2002 e 2010, foi acusado de ligações com grupos paramilitares ilegais durante a década de 1980. Segundo a acusação, Uribe teria pressionado ex-integrantes dessas milícias a alterarem seus depoimentos, buscando se desvincular das acusações que o ligavam aos grupos. A sentença inicial o condenou a 12 anos de prisão domiciliar, dos quais cumpriu 19 dias antes de ser autorizado a recorrer em liberdade.
Além da pena de prisão, Uribe também havia sido multado em US$ 578 mil e proibido de exercer cargos públicos por oito anos. A decisão desta semana, no entanto, suspende essas sanções, pelo menos temporariamente. Apesar da revogação da prisão, o caso não está encerrado, e ainda poderá ser analisado pela Corte Suprema da Colômbia, já que a decisão do Tribunal Superior é passível de recurso. O futuro político de Uribe permanece incerto, com o caso ainda longe de uma resolução definitiva.
Fonte: http://www.metropoles.com






