O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de otimismo nesta terça-feira, com a Bolsa de Valores alcançando um novo patamar histórico e o dólar registrando forte queda. O Ibovespa fechou em alta de 1,60%, atingindo 157.748,60 pontos, marcando o 12º recorde consecutivo de fechamento e a 15ª elevação seguida em pregões. Paralelamente, o dólar recuou 0,64%, cotado a R$ 5,27, o menor valor desde 6 de junho de 2024.
Este cenário positivo reflete um apetite crescente por risco por parte dos investidores, impulsionado por sinais de arrefecimento das tensões econômicas, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A combinação de fatores internos e externos tem contribuído para o fortalecimento do real e o bom desempenho do mercado de ações.
No Brasil, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, influenciou o mercado. O índice registrou alta de 0,09% em outubro, uma desaceleração em relação a setembro e a menor taxa para o mês desde 1998, segundo dados do IBGE.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, também divulgada nesta terça-feira, adicionou mais tempero ao otimismo. Apesar de manter o tom cauteloso, a ata sinalizou a possibilidade de um futuro corte na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o que animou os investidores.
“A combinação de juros elevados por um período prolongado e inflação controlada continua atraindo fluxos externos para renda fixa e Bolsa”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Ele destaca que o IPCA de outubro confirmou o cenário de desinflação, contribuindo para o fortalecimento do real.
O cenário externo também se mostrou favorável. Nos Estados Unidos, a expectativa de um fim próximo do “shutdown” e a perspectiva de manutenção dos cortes de juros têm impulsionado os mercados. Além disso, o alívio nas tensões comerciais, com acordos entre os EUA e China e o início de negociações com o Brasil, contribuiu para o clima positivo.
O bom desempenho do Ibovespa também foi impulsionado pela alta das ações de empresas petrolíferas, beneficiadas pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional. Os grandes bancos também registraram valorização, consolidando o cenário de otimismo na Bolsa brasileira.
As bolsas europeias seguiram a mesma tendência de alta, com o FTSE 100 de Londres renovando o recorde de fechamento pelo segundo dia seguido. Nos Estados Unidos, os principais índices também apresentaram elevação, com exceção do Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
“O avanço nas negociações para encerrar o shutdown nos Estados Unidos e a perspectiva de retomada dos dados econômicos reforçam o otimismo dos mercados”, conclui Shahini. O especialista projeta que o Ibovespa tem espaço para continuar avançando nos próximos meses, impulsionado pela estabilidade do cenário externo e pelo diferencial de juros ainda elevado no Brasil.
Fonte: http://www.metropoles.com






