As vendas no varejo brasileiro registraram uma inesperada queda de 0,3% em setembro, frustrando as projeções de mercado que apontavam para um crescimento. O resultado, divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira, interrompe uma breve recuperação observada no mês anterior e indica uma possível desaceleração da atividade econômica. Este cenário ocorre em um contexto de política monetária restritiva, com a taxa Selic mantida em patamares elevados.
A retração nas vendas contrasta com as expectativas do mercado, que, segundo pesquisa da Reuters, projetava um aumento de 0,3% na comparação mensal e de 2,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do recuo mensal, o setor ainda apresentou um avanço de 0,8% na comparação anual, demonstrando uma leve resiliência em meio aos desafios econômicos.
Uma análise mais detalhada dos dados revela que seis dos oito setores pesquisados apresentaram queda em setembro, com destaque para livros, revistas e papelaria (-1,6%) e tecidos, vestuário e calçados (-1,2%). Por outro lado, alguns segmentos registraram crescimento, como outros artigos de uso pessoal e doméstico (+0,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+1,3%), atenuando o impacto negativo no resultado geral.
No comércio varejista ampliado, que inclui setores como veículos, material de construção e atacado de alimentos, observou-se um crescimento de 0,2% em setembro, impulsionado principalmente pelo desempenho positivo do segmento de veículos. Em relação a setembro de 2024, o crescimento foi de 1,1%, indicando um ritmo de expansão ainda presente, mas moderado.
“O comércio tem oscilado em margens estreitas este ano”, observa um analista do setor, “conforme o setor equilibra de um lado uma taxa básica de juros elevada e de outro um mercado de trabalho aquecido, com renda em alta.” A manutenção da Selic em 15% ao ano continua sendo um fator de pressão para o consumo, apesar do cenário favorável no mercado de trabalho.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






