Brasil Amarga Prejuízo de R$ 184 Bi com Desastres Climáticos: Apenas 9% Estavam Segurados

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O Brasil enfrenta um alto preço devido aos eventos climáticos extremos. Nos últimos dois anos, o país contabilizou R$ 184 bilhões em prejuízos decorrentes de 67 desastres naturais significativos. Um dado alarmante revela que apenas 9% desse montante estava coberto por seguros, evidenciando uma vulnerabilidade financeira considerável.

O impacto financeiro não para por aí. Adicionalmente, dez eventos extremos ocorridos apenas no primeiro semestre deste ano geraram perdas estimadas em R$ 31 bilhões. Esses números revelam a urgência de se repensar a proteção e a preparação do país diante das crescentes ameaças climáticas.

Os dados são provenientes do “Radar de Eventos Climáticos e de Seguros no Brasil”, um estudo inédito da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) em parceria com a consultoria EY. Apresentado durante a COP30, o levantamento detalha os impactos econômicos e sociais dos desastres e o papel do setor de seguros na mitigação desses efeitos.

Embora as chuvas e inundações sejam os eventos mais frequentes, a seca se destaca como a maior vilã financeira. Sua abrangência territorial e duração prolongada acarretam prejuízos substanciais para a economia brasileira, principalmente no setor agropecuário.

A pesquisa também expõe as desigualdades regionais na capacidade de resposta aos desastres. “Enquanto o Sul concentrou as maiores perdas econômicas, o Norte e o Nordeste apresentaram os menores níveis de proteção, com menos de 2% das perdas seguradas”, aponta o estudo, revelando uma disparidade preocupante.

A tragédia no Rio Grande do Sul em 2024 exemplifica a gravidade da situação. Considerado o pior desastre climático da história do país, o evento afetou 2,4 milhões de pessoas, resultou em 182 mortes e causou perdas diretas de R$ 35,6 bilhões.

Diante desse cenário desafiador, o setor de seguros brasileiro tem ampliado sua atuação. Em 2024, foram pagos R$ 7,3 bilhões em indenizações relacionadas a eventos climáticos, principalmente nos ramos Patrimonial, Automóvel, Rural e Habitacional.

A experiência internacional demonstra que países com maior penetração de seguros se recuperam mais rapidamente de catástrofes, aliviando a pressão sobre os recursos públicos. O Radar da CNseg visa fornecer dados para um diálogo mais técnico e aprimorar a resposta do país aos desafios climáticos.

Segundo Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, “A partir do Radar, é possível ter um mapa que efetivamente vai dizer, em cada evento climático, quanto isso custou em indenização paga pelo setor de seguros, sendo possível calcular qual é o gap [lacuna] de proteção e o impacto direto na economia…”

O Hub de Inteligência Climática da CNseg também lançou soluções como a de Riscos Climáticos para Inundação e a de Conformidade Socioambiental para o Seguro Rural, visando aprimorar a avaliação de riscos e promover práticas sustentáveis.

De acordo com Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, o Hub simboliza “um avanço estrutural na atuação climática do setor”. O objetivo é reunir dados climáticos e socioambientais para apoiar as seguradoras na precificação de riscos, fortalecer a resiliência e reduzir a lacuna de proteção securitária no país.

Fonte: http://www.infomoney.com.br