A iminente reforma do Imposto de Renda, que prevê a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil a partir de 2026, desencadeou uma onda de antecipação de pagamentos por empresas listadas na bolsa. Companhias como Vale e Itaú lideram o movimento, buscando aproveitar a isenção fiscal para lucros apurados até o final de 2025, mesmo que a distribuição ocorra até 2028. Essa estratégia visa otimizar a situação tributária tanto para as empresas quanto para seus acionistas.
Gigantes como Itaú e Vale já anunciaram distribuições robustas de R$ 23,4 bilhões e R$ 15,3 bilhões, respectivamente. Marcopolo, Vulcabras e Azzas também aderiram a essa antecipação. Recentemente, Axia e WEG engrossaram a lista, com Axia distribuindo R$ 40 bilhões por meio de ações PNC e WEG aprovando um dividendo complementar de R$ 1,43 bilhão.
Essa movimentação estratégica é motivada pela combinação da isenção fiscal para lucros já apurados e a futura tributação. No caso da Axia, a utilização da ação PNC foi uma solução engenhosa para harmonizar a Lei das S.A. com as novas regras tributárias, permitindo a declaração dos dividendos agora e o pagamento até 2028, sem perda do benefício fiscal. Segundo a Genial Investimentos, a solução “compatibiliza as exigências legais sem perda do benefício tributário”.
O Itaú BBA ressalta que a antecipação não implica necessariamente em um aumento no volume total de dividendos a serem distribuídos. “Não implica dividendos mais altos. A estratégia organiza o processo diante da mudança tributária”, explica o banco. Para empresas como a WEG, antecipar pagamentos originalmente previstos para 2026 garante a manutenção do benefício fiscal para os proventos que serão efetivamente pagos nos próximos anos.
De olho nesse cenário, a XP Investimentos mapeou as empresas com maior potencial de antecipar dividendos até o final do ano, estimando um volume total de R$ 170 bilhões. A análise considerou fatores como alavancagem, payout esperado, histórico de pagamentos e reservas financeiras, revelando um grupo de 25 empresas com capacidade de gerar um yield potencial de 27,1%. Mesmo distribuições parciais desse montante poderiam gerar retornos atrativos para os investidores.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






