Vinte e três anos após o assassinato que chocou o país, Suzane von Richthofen busca uma reaproximação com seu irmão, Andreas. A tragédia de 2002, que vitimou seus pais, Manfred e Marísia, orquestrada por Suzane em conluio com seu então namorado e o cunhado, permanece como um marco na história criminal brasileira. O crime deixou cicatrizes profundas, especialmente em Andreas, que na época tinha apenas 15 anos.
Andreas von Richthofen vive isolado em uma chácara em São Roque, interior de São Paulo, tentando se manter afastado do passado. A rotina é solitária, com raras saídas para comprar o essencial. A tentativa de Suzane de se reconectar com o irmão revela a persistência de laços familiares complexos, mesmo diante de uma tragédia irreparável.
Há cerca de três meses, Suzane foi até a propriedade de Andreas, acompanhada de seu filho recém-nascido, fruto de seu relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz. A escolha da data de nascimento do bebê, a mesma de Daniel Cravinhos, cúmplice no assassinato dos pais, adiciona uma camada de controvérsia à busca por reconciliação. A esperança era que a presença do neto pudesse amolecer o coração de Andreas, facilitando a tão desejada reaproximação.
Entretanto, a iniciativa não obteve sucesso. Vizinhos relatam que Andreas não demonstra sinais de ter perdoado o crime cometido por Suzane e que enfrenta sérios problemas psicológicos. Um morador da região, que preferiu não se identificar, descreveu a situação do jovem: “é como se ele só existisse fisicamente, a alma, a mente parecem ter ido embora junto com os Mafrend e Marisia”.
A equipe do BacciNotícias esteve na chácara de Andreas em duas ocasiões, nos dias 5 e 8 de setembro. A propriedade, localizada no bairro Jardim Camargo, contrasta com as outras casas bem cuidadas da região. O matagal e a aparente falta de manutenção revelam o isolamento em que vive Andreas.
Durante a apuração, a equipe conversou com vizinhos que compartilharam informações sobre a vida reclusa de Andreas. Apesar da herança, ele enfrenta dificuldades financeiras, acumulando dívidas de IPTU. Adão, um conhecido da família desde a infância, descreveu o comportamento reservado de Andreas e sua relutância em receber visitas. “Estranhamente, ainda é difícil acreditar na tragédia que envolveu a morte de Manfred e Marísia”, comentou Adão.
Adão confirmou que, na visita de Suzane, Andreas se recusou a recebê-la, gerando um clima de desconforto que a fez ir embora sem conseguir contato. Após horas de espera em frente à propriedade, foi possível observar o abandono do local. “Ele prefere ficar isolado da sociedade e não tem intenção de mudar isso. Parece apenas esperar a morte chegar”, relatou uma caseira da região.
A história de Andreas von Richthofen é um doloroso lembrete das consequências devastadoras de um crime sobre uma família. A tentativa de reaproximação de Suzane, seguida pela rejeição, expõe as feridas que permanecem abertas, perpetuando o sofrimento e a solidão.
Fonte: http://baccinoticias.com.br






