Em meio a decisões cruciais de política monetária nos EUA e no Brasil, a sombra da interferência política paira sobre os bancos centrais. Donald Trump intensificou a pressão para demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), reacendendo o debate sobre a independência da autarquia, que tem sido pressionada a cortar juros.
Para Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil, a situação é preocupante. “É muito estranha, mesmo, porque, em geral, o funcionamento do banco central nos Estados Unidos, pode ter seus problemas conjunturais mas, não dá para dizer que não funcionam muito bem”, afirmou Fraga, em entrevista ao InfoMoney após a gravação do podcast Outliers.
Fraga classificou a interferência no Fed como “uma questão um tanto conjuntural e perigosa”. Ele pondera que o Brasil não possui a mesma margem de manobra que os Estados Unidos, dada a sua história econômica e a taxa de juros, que é muito mais alta do que a americana.
O cenário brasileiro também inspira cautela. Fraga criticou a ameaça do Congresso de aprovar uma lei que permitiria a demissão de um diretor do Banco Central. “Já disse isso e repito: sinceramente, isso é coisa de republiqueta”, declarou, referindo-se ao projeto de lei que alteraria a autonomia do BC.
Olhando para o futuro, Fraga espera que o debate eleitoral de 2026 se concentre em temas macroeconômicos cruciais, como a relação entre dívida e PIB. “Os políticos tendem a fugir desse assunto porque, em geral, só enxergam o lado que aparenta ser um sacrifício”, explicou. Para ele, o verdadeiro sacrifício é o crescimento lento e as crises frequentes.
“Sacrifício é ficar 45 anos crescendo pouco e de 5 em 5 anos ou de 10 em 10 anos tendo uma crise”, resumiu Fraga. Ele enfatizou a importância de discutir abertamente a dívida pública para que o próximo presidente possa enfrentar os problemas com o vigor necessário e com um mandato claro.
Embora não seja certo que um novo presidente será eleito com um mandato para ‘arrumar a casa’, Fraga mantém a esperança de que o Brasil possa trilhar um caminho melhor, com a austeridade necessária. “O que mais falta é prioridade”, concluiu.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






