A BP anunciou a descoberta de um gigantesco campo de petróleo na costa brasileira, reacendendo o ânimo dos investidores e remetendo aos tempos de exploração agressiva de duas décadas atrás. O achado surge em um momento crucial, quando a transição energética e o temor de ativos encalhados pairavam sobre as grandes petroleiras.
A descoberta do campo Bumerangue, considerado o maior da BP em 25 anos pelo CEO Murray Auchincloss, impulsionou um aumento de 8% nas ações da empresa em Londres. A magnitude do campo sugere que os receios de que as grandes petroleiras fiquem com ativos ociosos devido à transição energética podem estar diminuindo significativamente.
Caso seja totalmente desenvolvido, o campo Bumerangue tem o potencial de transformar a BP, uma empresa de US$ 93 bilhões que enfrentou turbulências recentes na liderança e pressões de investidores ativistas. A BP agora precisará de meses para avaliar completamente o campo, mas os resultados iniciais já revelaram uma coluna de hidrocarbonetos de 500 metros em um reservatório de pré-sal de alta qualidade.
Analistas estimam que o campo possa conter de 2 bilhões a 2,5 bilhões de barris de óleo equivalente recuperável, o que poderia resultar em um enorme desenvolvimento offshore capaz de produzir cerca de 400.000 barris por dia durante décadas. Claudio Steuer, do Oxford Institute for Energy Studies, destaca que, com 100% de participação, a BP poderá colher lucros substanciais dessa descoberta.
Essa descoberta sinaliza uma mudança de rumo na BP, que agora está redirecionando recursos e talentos para o setor de upstream, após anos de redução em suas equipes de exploração. A empresa planeja aumentar os gastos anuais com upstream em 20%, atingindo US$ 10 bilhões até 2027, e manter a produção estável em 2,3 milhões a 2,5 milhões de barris por dia até 2030, retomando uma estratégia similar à do início dos anos 2000.
Por anos, o tamanho das reservas foi uma métrica fundamental para os investidores em empresas de energia, impulsionando gastos crescentes em exploração. No entanto, o acordo climático de Paris de 2015 e as previsões de desaceleração da demanda de petróleo levantaram temores de que as reservas pudessem se tornar ativos encalhados. Consequentemente, os gastos com exploração diminuíram, e as empresas começaram a minimizar o tamanho de suas reservas.
Atualmente, as empresas petrolíferas ocidentais detêm reservas equivalentes de 7 a 13 anos de produção atual, em comparação com os 12 a 17 anos de uma década atrás. Entretanto, o entusiasmo em torno da descoberta de Bumerangue indica que a maré está mudando, com investidores demonstrando um novo apetite pelo setor.
Diante desse cenário, as empresas estão cada vez mais direcionando recursos para a exploração, uma atividade de alto risco e alta recompensa. O presidente-executivo da Chevron, Mike Wirth, declarou em agosto que “não estava satisfeito” com os resultados da exploração nos últimos anos e que a empresa está aumentando os gastos na busca de novos recursos. Segundo a Rystad, o mundo possui 1,5 trilhão de barris de petróleo potencialmente recuperável.
Apesar das incertezas sobre a demanda de longo prazo, impulsionadas pela transição energética e pelo boom da inteligência artificial, a descoberta de Bumerangue chega em um momento oportuno para a BP. Como ressalta o analista-chefe da Rystad, Per Magnus Nysveen, “Houve um aumento na atividade, começando pelas rodadas de licenciamento. Esse é o principal indicador da atividade de exploração”.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






