Um descuido aparentemente banal em uma agência da Caixa Econômica Federal no Brás, São Paulo, deflagrou uma operação da Polícia Federal que culminou na prisão de uma quadrilha de hackers. A entrega de um notebook com credenciais de acesso remoto irrestrito ao sistema do banco por um gerente foi a faísca que acendeu o alerta. A informação, obtida pela *Folha de S. Paulo* através do inquérito policial, revela a vulnerabilidade explorada pelos criminosos.
O alerta da Caixa ao Banco Central, que por sua vez acionou o Coaf e a Polícia Federal, demonstra a gravidade da situação. A ação rápida e coordenada resultou na prisão em flagrante de oito suspeitos na última sexta-feira (12). Eles são acusados de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes milionárias contra o sistema financeiro. O caso expõe a crescente ameaça cibernética enfrentada pelas instituições financeiras brasileiras.
De acordo com o inquérito, o notebook fornecia acesso direto à Conta PI (Pagamentos Instantâneos), crucial para a liquidez das operações do Pix. O plano dos hackers era desviar recursos tanto de clientes quanto de programas do governo federal, ampliando o impacto do ataque. A Polícia Federal rastreou o equipamento até uma residência no Jardim Triana, onde o notebook estava em pleno funcionamento, conectado ao sistema da Caixa.
A investigação aponta que o grupo preso também estaria envolvido em desvios de R$ 800 milhões do Banco BMP e R$ 420 milhões do HSBC no segundo semestre de 2025. Entre os detidos, destaca-se Klayton Leandro Matos de Paula, especialista em autenticação Cisco, tecnologia fundamental para a segurança de redes corporativas. Todos os presos negam envolvimento no esquema, e suas defesas argumentam sobre a precipitação da prisão e a falta de provas robustas.
Investigadores destacam o caso como um exemplo de cooperação bem-sucedida entre instituições financeiras, órgãos de fiscalização e a Polícia Federal. Esse modelo de colaboração se fortaleceu após a identificação da infiltração do PCC em diversos setores da economia. A intensificação dos ataques cibernéticos, com prejuízos estimados em R$ 1,5 bilhão neste ano, impulsionou a resposta regulatória e a busca por maior resiliência no sistema financeiro. O Banco Central tem reforçado suas normas de cibersegurança, incluindo limites para transferências via Pix e TED e a rejeição de transações suspeitas.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






