O governo federal enfrenta um cenário fiscal desafiador, acumulando um déficit primário de R$ 100,9 bilhões de janeiro a setembro. Embora inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, o valor exige atenção redobrada para o cumprimento da meta orçamentária estabelecida.
O último trimestre de 2025 impõe um esforço fiscal adicional significativo. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), será necessário um superávit de R$ 27,1 bilhões para alcançar o limite inferior da meta e evitar o descumprimento da legislação. Para zerar o déficit, o montante necessário seria ainda maior: R$ 58,1 bilhões.
A estimativa considera perdas de arrecadação decorrentes da não aprovação da Medida Provisória (MP) 1303 e um desempenho abaixo do esperado das empresas estatais, conforme apontado no Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro da IFI.
A queda da MP 1303, que previa uma arrecadação de R$ 10,6 bilhões ainda este ano, representa um revés para as contas públicas. A não votação do texto no Congresso Nacional resultou na sua caducidade, impactando negativamente a receita esperada.
Além disso, o relatório do IFI alerta para a desaceleração da economia, que pode levar a uma diminuição na arrecadação. O desempenho deficitário das empresas estatais, que acumula R$ 8,9 bilhões nos últimos 12 meses até agosto de 2025, também preocupa. “O aumento do déficit das estatais pode demandar uma intervenção do Tesouro Nacional com aportes que garantam o funcionamento das empresas, o que aumentaria o esforço fiscal necessário no último trimestre do ano”, alertam os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






