O Brasil enfrenta uma crescente crise de saúde pública desencadeada pela intoxicação por metanol, um problema que teve seus primeiros sinais no final de agosto. A contaminação, segundo investigações, está ligada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas que circulam em diversas regiões do país.
A onda de casos, inicialmente concentrada em São Paulo, agora se estende por estados de três regiões diferentes. Em resposta à emergência, o Ministério da Saúde, a Anvisa e governos estaduais implementaram ações coordenadas para conter a disseminação do problema e minimizar seus impactos na população. Mas afinal, qual a dimensão dessa crise e como ela está sendo combatida?
Até o momento, o país registra um total de 41 casos confirmados de intoxicação por metanol, com um triste saldo de oito óbitos: seis em São Paulo e dois em Pernambuco, conforme dados do Ministério da Saúde. Além dos casos confirmados, 107 ainda estão sob investigação, abrangendo estados como Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Piauí, Alagoas, Goiás e Paraná, além de São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
O metanol, um solvente utilizado na indústria química e como combustível, é altamente tóxico e pode ser fatal mesmo em pequenas doses. A substância, que se apresenta como um líquido incolor e inflamável, pode ser facilmente adicionada a bebidas alcoólicas sem ser detectada, representando um grave risco à saúde dos consumidores.
As autoridades brasileiras trabalham com a hipótese de que o metanol está sendo utilizado de forma intencional para adulterar bebidas alcoólicas. A Receita Federal deflagrou a “Operação Alquimia”, com o objetivo de rastrear a origem do esquema e identificar os responsáveis pela distribuição da substância. A operação já coletou amostras de bebidas em 24 empresas de diversos estados.
Para combater a crise, o Ministério da Saúde adquiriu 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. Adicionalmente, o SUS recebeu uma doação de mais de 11 mil unidades de etanol farmacêutico, outro medicamento eficaz no tratamento dos pacientes intoxicados.
Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem ser facilmente confundidos com os de uma simples ressaca, como náuseas, tonturas e dores de cabeça. Contudo, em uma segunda fase, o fígado transforma o metanol em substâncias ainda mais tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar danos graves à visão e ao sistema nervoso, levando à cegueira, coma ou morte.
Apesar do impacto inicial negativo, o setor de bares começa a mostrar sinais de recuperação. “Os bares da cidade de São Paulo registraram crescimento de 1% no faturamento entre 22 de setembro e 12 de outubro de 2025”, aponta um levantamento da Zig, plataforma de soluções tecnológicas. A tendência é de que o setor se normalize gradualmente.
Diante da crise, a principal recomendação das autoridades é evitar o consumo de bebidas destiladas, especialmente as incolores. O Ministério da Saúde também orienta os consumidores a sempre exigirem a nota fiscal das bebidas. Em caso de qualquer sintoma suspeito após o consumo de álcool, procure ajuda médica imediatamente.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






