O setor varejista brasileiro demonstra sinais de fragilidade, gerando preocupação entre analistas e investidores. Dados recentes do Itaú Daily Activity Tracker (Idat), revelam um desempenho abaixo do esperado por dois meses consecutivos. O índice, que monitora a atividade econômica em tempo real, indica uma possível desaceleração no consumo, especialmente para empresas listadas na bolsa.
Após um maio promissor, o Idat sinalizou uma deterioração em junho, inicialmente vista como um ajuste temporário. No entanto, a persistência dessa tendência em julho intensificou os temores de um segundo semestre menos favorável. Consequentemente, investidores demonstram maior cautela, reduzindo sua exposição em ações do setor e provocando uma queda nos múltiplos de preço sobre lucro.
Segundo analistas do Itaú BBA, o setor de vestuário foi o mais impactado em julho, com um crescimento de apenas 3% em relação ao ano anterior. As varejistas Lojas Renner e C&A sentiram o peso de uma base de comparação mais alta, influenciada por um inverno rigoroso em 2024. “Investimentos em lojas e atendimento podem sustentar uma melhora adiante”, ponderam sobre a Centauro.
O setor farmacêutico, embora ainda beneficiado pelas vendas de medicamentos para diabetes e obesidade, também perdeu fôlego. Já o segmento de cosméticos registrou um dos piores desempenhos, com um crescimento marginal de 0,4%. A Natura, inclusive, sinalizou que essa fraqueza pode persistir, dada a base de comparação mais elevada nos meses seguintes.
Em contraste, o setor de joias apresentou um crescimento de 5,4%, com destaque para a Vivara, vista como uma empresa que continua a ganhar participação de mercado. No setor de academias, a Smart Fit deve apresentar um resultado acima da média, impulsionado pelo serviço TotalPass e reajustes de preços. Contudo, o setor de materiais de construção, móveis e eletrodomésticos registrou uma queda expressiva de 8,6%, refletindo um cenário desafiador para o consumo durável.
O Idat, que considera movimentações com cartões, Pix e operações de crédito, oferece uma visão antecipada do desempenho setorial. Com uma representatividade de cerca de 20% das transações no Brasil, o índice se consolida como uma ferramenta crucial para análise e tomada de decisão no mercado financeiro.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






