Argentina Levanta US$7 Bilhões com Exportação de Grãos em Tempo Recorde, Mas Semeia Descontentamento

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A Argentina causou um impacto significativo no mercado de grãos ao suspender temporariamente os impostos de exportação sobre soja, milho, trigo e seus derivados. A medida visava impulsionar as reservas do Banco Central em meio a preocupações sobre a estabilidade política do governo de Javier Milei. O plano financeiro alcançou sucesso, mas gerou atritos entre o presidente e os produtores rurais.

Em apenas 72 horas, a isenção de impostos permitiu que as exportações atingissem US$7 bilhões, o limite estabelecido. A China, notavelmente ausente das compras de soja dos EUA neste ano, aproveitou a oportunidade para adquirir pelo menos dez navios carregados com 65 mil toneladas de grãos argentinos, conforme relatado pela Bloomberg. No entanto, a alegria durou pouco.

As chamadas “retenciones” – impostos de exportação de 26% para a soja e 9,5% para milho e trigo – foram rapidamente restabelecidas na quarta-feira. Essa reviravolta deixou muitos no setor agrícola frustrados e com pouquíssimos benefícios. A medida desencadeou uma corrida entre as grandes tradings internacionais para emitir Declarações de Vendas ao Exterior (DJVE) antes que o limite fosse alcançado.

Embora as vendas ao exterior tenham ultrapassado 19,5 milhões de toneladas de grãos com imposto zero, segundo o jornal argentino La Nación, nem todos os exportadores possuíam o estoque imediato. Agora, eles precisarão comprar os grãos com os impostos restabelecidos, o que efetivamente desvaloriza o produto. A Coninagro (Confederação Intercooperativa Agropecuária) expressou que a medida deixou os agricultores argentinos “com um sentimento de amargura”.

“Entendemos que a medida temporária não foi suficiente para beneficiar o primeiro elo da cadeia: o produtor agrícola, que também é aquele que assume o maior risco”, afirmou a Coninagro em comunicado. “Pelo contrário, as evidências sugerem que foi uma janela de oportunidade e uma oportunidade de negócio para alguns”, completou. De acordo com o La Nación, sete tradings – Louis Dreyfus, Cargill, Bunge, Cofco, Viterra e as locais Aceitera General Deheza e Molinos Agro – concentraram 86% das exportações fechadas com imposto zerado.

Milei, eleito com promessas de livre comércio, enfrenta um crescente descontentamento no campo. Os produtores rurais estão intensificando a pressão por alívio fiscal, argumentando que os impostos elevados prejudicam a competitividade das exportações agrícolas argentinas e desestimulam o aumento da produção.

Fonte: http://www.infomoney.com.br