O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, lançou um alerta contundente sobre a situação econômica do Brasil. Em participação no podcast Outliers, do InfoMoney, Fraga comparou o país a um paciente em estado grave, enfatizando a necessidade de ações imediatas para evitar maiores complicações. Apesar do diagnóstico preocupante, o economista se mostrou otimista quanto ao potencial de recuperação do país.
Fraga destacou que o Brasil possui um grande potencial de crescimento, estimando que o país poderia crescer de 3% a 4% ao ano. No entanto, para alcançar esse patamar, ele ressaltou que é preciso tomar decisões corajosas e implementar reformas estruturais profundas. A complacência com o cenário atual, segundo ele, representa um risco significativo para o futuro da economia brasileira.
A trajetória dos juros altos no Brasil continua sendo um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento do país, apontou Fraga. Segundo o economista, a combinação de desequilíbrios fiscais e baixo nível de poupança mantém o país refém de taxas elevadas. “O grande problema do país sempre foi o juro. Grande parte disso vem da ‘despoupança’ do governo e do fato de o Brasil poupar pouco”, afirmou Fraga.
O ex-presidente do BC também ressaltou a importância do regime de metas de inflação, que trouxe previsibilidade à política monetária. Contudo, alertou que confiar apenas nesse mecanismo é insuficiente para garantir a estabilidade e o crescimento econômico. “O termômetro dos juros está dizendo: cuidado. Esse paciente Brasil ainda está péssimo. O problema é sério e ainda não se desenvolveu totalmente”, alertou.
Para o sócio-fundador da Gávea Investimentos, o Brasil só voltará a inspirar confiança se enfrentar de frente seus desequilíbrios estruturais. Ele defendeu ajustes na Previdência, uma reforma administrativa mais ampla e a revisão de subsídios, apontando que o gasto público cresceu nas últimas décadas sem contrapartida em investimentos. Além da agenda econômica, Fraga destacou que o país também precisa atacar problemas sociais e institucionais, como segurança pública, combate ao crime organizado e corrupção.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






