Em meio a um cenário de crescente incerteza nos mercados globais, os títulos do Tesouro Direto, em especial o Tesouro IPCA+, voltaram a atrair a atenção dos investidores nesta terça-feira. A busca por ativos mais seguros, impulsionada por temores de uma escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e China, elevou as taxas oferecidas por esses títulos.
O Tesouro IPCA+ 2029 se destacou, atingindo um juro real de 8,09% ao ano, o maior patamar registrado em 2024. Esse aumento supera o pico anterior, de 8,08%, observado na última sexta-feira, quando as declarações do ex-presidente Donald Trump já haviam agitado os mercados. A rentabilidade atrativa reflete a busca por proteção contra a inflação e a instabilidade econômica.
“O avanço das taxas ocorre em meio ao aumento da aversão ao risco após a China anunciar novas sanções contra empresas americanas”, ressalta a equipe de análise da InfoMoney. A deterioração do ambiente internacional se traduziu em uma corrida para ativos considerados portos seguros, como o dólar, o ouro e os títulos do Tesouro americano.
No Brasil, o reflexo desse movimento global se fez sentir no mercado de câmbio e juros futuros. O dólar à vista registrou alta, enquanto as taxas dos contratos de DI (Depósitos Interbancários) também subiram, acompanhando o aumento dos juros reais oferecidos pelos títulos indexados à inflação. O Ibovespa, por sua vez, operou em terreno negativo, impactado pelo cenário externo adverso e pela queda dos preços do petróleo.
Além do cenário internacional, o mercado doméstico também monitora de perto as discussões sobre o Orçamento de 2026 e as medidas de compensação fiscal. A audiência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Senado, é aguardada com expectativa por investidores em busca de clareza sobre a política econômica do governo.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






