A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira, a Operação Carbono Oculto, a maior ofensiva já vista no Brasil contra a infiltração do crime organizado na economia formal. A ação, que mobilizou 1.400 agentes em dez estados, mira um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação tributária supostamente comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
A força-tarefa, composta por diversos órgãos federais e estaduais, investiga a infiltração do PCC em toda a cadeia produtiva de combustíveis e no mercado financeiro formal. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, destacou a “migração da criminalidade organizada da ilegalidade para a legalidade”, demonstrando a complexidade e o alcance da investigação.
A Operação Carbono Oculto revelou uma atuação multifacetada da facção, que inclui o controle de fundos de investimento com patrimônio superior a R$ 30 bilhões. Além disso, o PCC supostamente financiou usinas de álcool, um terminal portuário e uma vasta frota de caminhões, além da aquisição de imóveis de alto valor. A organização também é suspeita de importar irregularmente metanol, nafta e diesel, utilizados na adulteração de combustíveis e em fraudes fiscais que somam R$ 7,6 bilhões.
As investigações apontam para o uso de uma complexa rede de fundos multimercado e imobiliários para movimentar recursos ilícitos e blindar patrimônio obtido com atividades criminosas. Uma instituição de pagamento investigada teria movimentado R$ 46 bilhões em valores não rastreáveis, financiando importadoras envolvidas em fraudes com combustíveis. A Justiça já determinou o sequestro dos recursos dos fundos suspeitos.
Mais de mil postos de combustíveis são investigados por suposta lavagem de dinheiro, com movimentações de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Muitos desses postos não registraram operações reais, mas receberam bilhões em notas fiscais, indicando aquisições simuladas para encobrir repasses a distribuidoras controladas pela organização. A operação mira mais de 350 alvos, incluindo fintechs, gestoras de investimento, distribuidoras de combustíveis, usinas e empresas de transporte.
Entre os personagens centrais da investigação estão os empresários Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Loco) e Mohamad Hussein Mourad, ligados às empresas Aster e Copape. Ricardo Magro, ex-advogado do ex-deputado Eduardo Cunha, também é citado nas investigações. As empresas envolvidas continuaram operando mesmo após a cassação de suas licenças, utilizando novas distribuidoras e parcerias com usinas em nome de laranjas e operadores condenados por tráfico internacional.
A deflagração da Operação Carbono Oculto gerou impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Reag Investimentos, uma das gestoras investigadas, sofreram forte queda na Bolsa de Valores. Em contrapartida, ações de grandes distribuidoras de combustíveis como Raízen, Ultrapar e Vibra registraram alta, refletindo a expectativa de que a operação combata a informalidade no setor e favoreça as empresas consolidadas.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






