Os Correios enfrentam a maior crise financeira de sua história, impulsionada pela queda nas receitas, aumento dos custos e perda de eficiência. A estatal busca um empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia da União para tentar um respiro, sob a nova direção de Emmanoel Rondon, servidor do Banco do Brasil. No entanto, especialistas questionam a sustentabilidade de longo prazo dessas medidas.
A análise do balanço dos Correios revela um cenário preocupante. A receita líquida da empresa caiu 11,3% desde 2021, último ano de lucro impulsionado pela pandemia, enquanto os custos do serviço prestado cresceram 16,5% no acumulado de 2023 e 2024, indicando perda de eficiência. Segundo o analista financeiro Daniel Pecanka, “uma empresa que está com queda consistente de receita precisa ajustar os custos e despesas.”
Contrariando a lógica, as despesas administrativas, comerciais e de pessoal aumentaram 21% entre 2022 e 2024. Os gastos com pessoal tiveram uma alta de 43,1% no mesmo período, enquanto as despesas com precatórios saltaram de R$ 485 milhões para R$ 1,132 bilhão. No primeiro semestre deste ano, o prejuízo atingiu R$ 4,3 bilhões, um aumento significativo em relação à perda de R$ 1,3 bilhão no ano anterior.
A “taxação das blusinhas” e o aumento das despesas operacionais agravaram a situação. Para cobrir a necessidade de caixa, a empresa recorreu a empréstimos bancários, totalizando R$ 2,35 bilhões até meados de 2025. A busca por um empréstimo de R$ 20 bilhões é crucial para evitar um aporte do Tesouro, mas o risco da operação exige o aval do governo.
Em nota, os Correios afirmaram que a operação visa a execução integral do plano de reestruturação, com o objetivo de alcançar o equilíbrio financeiro a partir de 2027. No entanto, especialistas questionam a viabilidade do plano e a capacidade da empresa de gerar recursos para pagar o empréstimo. A economista Elena Landau critica a falta de detalhes sobre a redução de custos e o desenvolvimento de novos produtos.
Enquanto os Correios buscam alternativas, o debate sobre a privatização da estatal é reacendido. Marcos Mendes, economista do Insper, defende que a solução mais racional seria arrumar as contas da estatal para vendê-la, mesmo que a um preço baixo. A crise nos Correios expõe a necessidade urgente de medidas eficazes para garantir a sustentabilidade da empresa e evitar um colapso financeiro.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






