Os Correios enfrentam uma grave crise financeira e necessitam de um aporte emergencial de R$ 20 bilhões para equilibrar suas contas nos próximos dois anos. A nova gestão da estatal já acionou o governo federal em busca de auxílio para viabilizar um empréstimo bancário de grande porte, equivalente a quase a totalidade do faturamento anual da empresa, que atingiu R$ 18,9 bilhões em 2024.
As tratativas para o financiamento estão sendo conduzidas pelo Tesouro Nacional, que articula um acordo com um sindicato de bancos, incluindo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras instituições privadas. Os detalhes da operação devem ser divulgados ainda nesta semana, conforme apurado por fontes internas da estatal. Embora um aporte direto do governo não esteja descartado, a medida enfrenta forte resistência por parte da equipe econômica.
Para facilitar a obtenção do crédito, o Tesouro Nacional avalia atuar como avalista do empréstimo. Em contrapartida, os Correios seriam obrigados a implementar um rigoroso plano de reestruturação, visando à redução de despesas com pessoal através de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), bem como a regularização de passivos pendentes, como encargos trabalhistas devidos ao INSS e dívidas com fornecedores e prestadores de serviço.
“Não adianta ficar postergando ou escolhendo dívidas a pagar todo mês”, declarou um técnico dos Correios, evidenciando a urgência da situação. O primeiro semestre de 2024 já se encerrou com um prejuízo de R$ 7 bilhões e um patrimônio negativo de R$ 8,7 bilhões, conforme o balanço divulgado em junho. O passivo acumulado relativo a benefícios a empregados de curto e longo prazo atinge a cifra alarmante de R$ 4,2 bilhões e R$ 9,5 bilhões, respectivamente.
Apesar de já ter recorrido a empréstimos bancários no passado – R$ 300 milhões do Daycoval e R$ 250 milhões do ABC em dezembro de 2024, e R$ 1,8 bilhão em junho de 2024 – o problema de caixa da estatal persiste. O especialista em finanças Daniel Pecanka de Andrade alerta: “Não adianta colocar dinheiro novo se não mudar a gestão”. Ele enfatiza a necessidade urgente de uma reestruturação para sanear a empresa e melhorar sua eficiência, além de atenção redobrada com as taxas de juros e prazos do novo empréstimo.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






