Crise na Indústria Argentina Aprofunda Desafios para Milei em Meio a Fechamentos de Fábricas

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A economia argentina, sob a radical reforma do presidente Javier Milei, enfrenta um período turbulento. Fábricas tradicionais, antes símbolos do “Made in Argentina”, estão fechando as portas, intensificando os desafios para o governo em meio a eleições cruciais.

Um exemplo emblemático é a Lumilagro, empresa com mais de 80 anos de história, conhecida por suas garrafas térmicas. Diante da concorrência de importações mais baratas e do aumento dos custos de produção, a empresa foi forçada a reduzir drasticamente suas atividades, conforme relatou Carlos Bender, seu gerente comercial.

A Lumilagro fechou seu forno de vidro e opera apenas uma de suas quatro linhas de montagem. A força de trabalho foi reduzida de 160 para 60 pessoas. “Muito doloroso”, descreveu Bender, refletindo o impacto da crise na indústria local.

Os cortes drásticos de gastos implementados por Milei geraram um superávit fiscal e reduziram a inflação. No entanto, a indústria tem sofrido com a desregulamentação e a crescente concorrência de importações mais baratas, além da redução do poder de compra do consumidor.

Em agosto, a produção industrial caiu 4,4% em relação ao ano anterior, e o desemprego nos subúrbios de Buenos Aires, área com grande concentração de fábricas, atingiu 9,8% no segundo trimestre. Esse cenário mina o apoio à coalizão de Milei, que já sofreu uma derrota nas eleições provinciais de Buenos Aires.

Dinâmicas semelhantes levaram a empresa de cerâmica Ilva a fechar sua fábrica em Pilar, deixando 300 ex-funcionários protestando por indenização. Juan González, um dos demitidos, responsabiliza diretamente o governo de Milei pelos problemas da empresa: “Desde que este governo assumiu, as vendas caíram”.

Os índices de aprovação de Milei atingiram um novo mínimo, refletindo o cansaço com as medidas de austeridade e a percepção de que sua personalidade combativa começou a incomodar. Para Marina Acosta, diretora da consultoria Analogías, “as pessoas culpam Milei pelo fato de que a estabilidade macroeconômica que ele alcançou não ajuda no nível microeconômico”.

Apesar dos desafios, Milei conta com o apoio de figuras como Donald Trump, que ofereceu apoio condicionado à sua permanência no poder e ao distanciamento dos peronistas. No entanto, essa ajuda pode não ser suficiente para melhorar a situação enfrentada pelos fabricantes locais no curto prazo.

Um proprietário de uma fábrica de peças automotivas em Buenos Aires, que preferiu não se identificar, relatou que as vendas caíram desde que Milei assumiu e que, em resposta, manteve as importações, mas cortou a produção pela metade. As peças importadas da China custam até 75% menos do que as fabricadas localmente.

Luis Campos, analista de emprego do sindicato CTA Autónoma, reconhece a estabilidade gerada pelas políticas de Milei. Ele alerta, contudo, que o modelo econômico já deu tudo o que tinha a oferecer em termos de empregos, e que os setores vencedores não são intensivos em mão de obra.

Fonte: http://www.infomoney.com.br