Desaceleração Econômica na China Aprofunda Preocupações Estruturais em Meio a Tensões Comerciais

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A economia chinesa mostra sinais de fragilidade, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerando no terceiro trimestre. O ritmo de expansão atingiu o patamar mais baixo em um ano, impulsionado pela fraca demanda interna e pela crescente dependência das exportações. Este cenário intensifica as preocupações sobre desequilíbrios estruturais e a sustentabilidade do crescimento a longo prazo.

Apesar do crescimento de 4,8% no terceiro trimestre estar em linha com as expectativas e manter a China no caminho de atingir sua meta de crescimento de aproximadamente 5% para o ano, a dependência do país na demanda externa levanta questões sobre a capacidade de manter esse ritmo. Esse fato ganha ainda mais relevância em um contexto de crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos.

Em meio a esse cenário, Pequim pode usar a resiliência do crescimento econômico como uma demonstração de força em negociações bilaterais com os EUA. O vice-premiê He Lifeng e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, se encontrarão na Malásia, e há a possibilidade de uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul.

Jeremy Fang, diretor de vendas de uma fabricante chinesa de produtos de alumínio, ilustra o impacto da situação nas empresas. “É preciso ser implacavelmente competitivo em termos de preço”, afirma Fang, destacando a necessidade de cortar preços para garantir pedidos em mercados alternativos, como América Latina e Sudeste Asiático.

Embora a produção industrial tenha apresentado um crescimento robusto de 6,5% em setembro, as vendas no varejo desaceleraram para 3,0%, atingindo o menor nível em 10 meses. A crise no setor imobiliário também contribui para o quadro, com os preços de novas casas caindo no ritmo mais rápido em 11 meses e o investimento no setor recuando 13,9% nos três primeiros trimestres.

“O crescimento da China está se tornando cada vez mais dependente das exportações, que estão compensando a desaceleração da demanda interna”, alerta Julian Evans-Pritchard, analista da Capital Economics. Ele adverte que esse modelo de desenvolvimento não é sustentável e que o crescimento pode desacelerar ainda mais se o governo não tomar medidas para impulsionar os gastos dos consumidores.

Fonte: http://www.infomoney.com.br