O mercado financeiro brasileiro apresentou um dia de relativa estabilidade nesta terça-feira, com o dólar registrando uma leve alta de 0,14%, cotado a R$ 5,46, e o Ibovespa uma pequena queda de 0,07%, fechando aos 141.682 pontos. Apesar dessas variações modestas, o pregão foi marcado por oscilações significativas, influenciadas principalmente por declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.
A fala de Powell, que sinalizou a possível interrupção do enxugamento do balanço patrimonial do Fed nos próximos meses, causou impacto imediato. Esse “aperto quantitativo” (QT), como é conhecido, visa reduzir a liquidez no mercado para conter a inflação, revertendo as medidas de expansão adotadas durante a pandemia.
A interpretação do mercado foi de que as declarações de Powell abrem caminho para novos cortes nas taxas de juros americanas, atualmente entre 4% e 4,25%. As chances de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) são altas, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, Powell adotou um tom equilibrado, mantendo as perspectivas para inflação e emprego praticamente inalteradas desde setembro. “Ele destacou que o avanço recente dos preços de bens parece estar mais ligado aos efeitos das tarifas do que a pressões inflacionárias generalizadas, sinalizando ausência de preocupação imediata com um novo surto de inflação”, ressaltou Shahini.
Contudo, o mercado continua atento às tensões geopolíticas, especialmente aos embates comerciais entre Estados Unidos e China. As idas e vindas nas declarações do governo americano, alternando ameaças de tarifas e acenos de conciliação, geram incertezas. A acusação do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que a China estaria restringindo a exportação de terras raras para enfraquecer a economia global, adicionou mais um elemento de tensão.
Em um cenário mais otimista, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento global para 2025, de 3,0% para 3,2%, indicando uma adaptação gradual às tensões comerciais. No âmbito doméstico, as atenções permanecem voltadas para a questão fiscal. “No Brasil, sem catalisadores domésticos relevantes, os ativos locais acompanharam o tom dos mercados internacionais com o real apresentando leve alta”, concluiu Shahini.
Fonte: http://www.metropoles.com






