Em um cenário de juros ainda elevados, os dividendos se destacam como uma estratégia atrativa para investidores brasileiros. A busca por renda passiva e a necessidade de diversificação impulsionam o interesse por empresas listadas na B3 que oferecem proventos consistentes aos seus acionistas.
Entender o funcionamento dos dividendos é fundamental para construir uma estratégia sólida de longo prazo. “Os dividendos são uma das formas de distribuição de lucros das empresas aos seus acionistas”, explica Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. “Quando a companhia obtém lucro e decide dividir parte dele, o investidor é recompensado com uma participação direta nos resultados do negócio”.
Essa remuneração regular, geralmente associada a setores mais estáveis, como energia, bancos e saneamento, proporciona aos investidores uma maneira de reduzir a volatilidade e potencializar o retorno total da carteira ao longo do tempo. Mas, onde investir para receber dividendos?
Bruna Sene orienta que o primeiro passo é identificar empresas financeiramente saudáveis, com um histórico comprovado de pagamento de dividendos e uma política de distribuição de lucros bem definida. “Setores mais maduros, como energia elétrica, bancos e saneamento, costumam ser bons pagadores de dividendos, justamente por terem menor necessidade de reinvestir grandes volumes de capital”, complementa a analista.
Além das ações, os Fundos Imobiliários (FIIs) representam uma alternativa interessante para quem busca dividendos mensais, distribuindo parte dos lucros provenientes de aluguéis e rendimentos dos ativos imobiliários. Esses fundos contribuem para equilibrar a carteira e assegurar um fluxo de caixa regular.
Uma questão frequente entre investidores é o destino dos dividendos recebidos. Reinvestir esses valores pode ser uma estratégia inteligente. A decisão de reinvestir os dividendos depende do momento financeiro de cada investidor.
“Se você está na fase de usufruir da sua renda passiva, pode usar esses valores como complemento de renda mensal. Já quem está construindo patrimônio deve reinvestir os dividendos, pois isso gera um efeito de juros compostos, acelerando o crescimento da carteira ao longo do tempo”, ressalta Bruna Sene.
Existem diferentes tipos de dividendos, e compreender cada um deles auxilia o investidor a acompanhar sua agenda de pagamentos. Os dividendos obrigatórios são previstos no estatuto da empresa e garantidos por lei, pagos anualmente e representando um percentual mínimo do lucro líquido ajustado.
Já os dividendos intermediários são pagos antes do fim do exercício social, com base em balanços trimestrais, antecipando parte dos lucros aos acionistas. Os dividendos intercalares são distribuídos a partir de lucros acumulados de anos anteriores e não dependem de balanço intermediário.
A decisão sobre o valor dos dividendos envolve diversos fatores: lucro líquido, política de dividendos, necessidade de reinvestimento e cenário econômico. “Mesmo lucrativas, algumas companhias podem optar por reter parte dos ganhos para reduzir dívidas ou investir na expansão dos negócios. Outras mantêm políticas claras de pagar 25%, 50% ou mais do lucro líquido ajustado”, esclarece Bruna Sene.
A identificação de empresas que são boas pagadoras de dividendos pode ser feita através da análise de alguns indicadores. Bruna Sene destaca a importância de observar o histórico consistente de pagamentos, o Dividend Yield atrativo e sustentável, lucros estáveis ou crescentes e um setor de atuação consolidado. O payout, que representa o percentual do lucro distribuído aos acionistas, é um indicador relevante do compromisso da empresa em remunerar seus investidores.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






