O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de turbulência nesta terça-feira (7/10), com o dólar registrando forte alta e o Ibovespa sofrendo perdas significativas. As incertezas no cenário doméstico, impulsionadas pelas discussões em torno da Medida Provisória (MP) do IOF e a proposta de “tarifa zero” no transporte público, somaram-se a um ambiente global já fragilizado, impactando negativamente os ativos locais.
O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,351, com alta de 0,75%. A moeda americana chegou a atingir R$ 5,353 na máxima do dia. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em forte queda de 1,57%, aos 141,3 mil pontos. A combinação de fatores internos e externos contribuiu para a aversão ao risco e a consequente valorização do dólar.
No âmbito doméstico, a tramitação da MP 1.303/25, que busca alternativas para compensar a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tem gerado apreensão. A busca do governo por aprovação enfrenta resistência no Congresso, com o texto correndo o risco de ser desidratado e perder parte das medidas de arrecadação planejadas.
A proposta original do governo previa manter a alíquota de taxação em 5% para títulos isentos e aumentar de 12% para 18% a alíquota sobre a receita bruta das empresas de apostas esportivas regularizadas. Contudo, o relator da MP já retirou o aumento de tributação sobre as bets do texto, o que pode reduzir a arrecadação esperada.
Outro fator que adicionou volatilidade ao mercado foi a discussão sobre a possível implementação da “tarifa zero” no transporte público. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o governo está estudando a viabilidade da medida, a pedido do presidente Lula. “Neste momento, estamos fazendo uma radiografia do setor a pedido do presidente [Lula]”, explicou Haddad, indicando que a Fazenda está recuperando estudos para verificar formas mais adequadas de financiar o setor.
No cenário internacional, a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, o chamado “shutdown”, também contribuiu para a cautela dos investidores. O impasse político em Washington tem atrasado a divulgação de dados econômicos importantes, aumentando a incerteza sobre o futuro da economia americana. Além disso, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) sobre a trajetória dos juros também influenciaram os mercados.
De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar reflete um ambiente global de incertezas fiscais e políticas. “Nos EUA, o prolongamento do ‘shutdown’ do governo Trump, já no sétimo dia, e a ausência de indicadores oficiais mantêm os investidores em postura defensiva”, explicou Shahini. Ele também ressaltou que a instabilidade política na França e o possível viés fiscal expansionista no Japão aumentam a demanda pela moeda americana.
Fonte: http://www.metropoles.com






