Após as decisões sobre as taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil, o mercado financeiro brasileiro apresentou um comportamento comedido nesta quinta-feira. O dólar encerrou o dia em alta de 0,33%, cotado a R$ 5,31, enquanto o Ibovespa registrou uma leve queda de 0,06%, fechando aos 145.499 pontos. Essa variação mínima reflete, segundo analistas, um período de ajuste após a intensa semana de decisões econômicas.
A cautela dos investidores é atribuída à repercussão das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos EUA, o Fed promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, fixando-a entre 4% e 4,25%. Essa medida já era amplamente esperada pelo mercado, mas as projeções para novos cortes e as declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, trouxeram novas nuances ao cenário.
“Os riscos para a inflação permanecem em ‘situação difícil’”, declarou Powell, o que arrefeceu o entusiasmo inicial do mercado. Apesar disso, os principais índices de Nova York renovaram máximas históricas nesta quinta-feira, indicando uma recuperação do otimismo. Por volta das 16h50, o S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq apresentavam altas de 0,47%, 0,27% e 0,94%, respectivamente.
No Brasil, o Copom optou por manter a taxa Selic em 15%, o patamar mais alto desde 2006. A decisão veio acompanhada de um comunicado considerado “duro” por analistas, indicando uma postura mais conservadora em relação à política monetária. O comitê expressou preocupação com as expectativas de inflação, que permanecem “desancoradas”, e com a resiliência da atividade econômica, especialmente no mercado de trabalho.
Apesar do cenário de juros altos por um período prolongado, analistas vislumbram oportunidades para investimentos em ações no Brasil. Eles também apostam na tendência de queda do dólar, impulsionada pela diferença entre as taxas de juros nos EUA e no Brasil. “A decisão do Fed influencia o dólar”, afirma Gabriel Filassi, da AVG Capital. “Menores juros nos EUA fazem com que a moeda americana tenda a ceder em um futuro próximo frente a moedas emergentes.”
No mercado de ações brasileiro, a Natura se destacou com uma alta superior a 15% após o anúncio da venda da Avon International. Já as ações da Usiminas e da Braskem registraram as maiores quedas, com recuos de aproximadamente 3,20% e 2,50%, respectivamente. Os papéis da Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco também apresentaram desempenho negativo, contribuindo para a leve queda do Ibovespa.
Fonte: http://www.metropoles.com






