Gestores de fundos de mercados emergentes estão intensificando o olhar sobre a América Latina, impulsionados pela perspectiva de uma onda de eleições que pode reconfigurar o cenário político regional. A possibilidade de alinhamento com políticas de direita, e em especial com uma potencial nova administração Trump, tem despertado o apetite por investimentos na região.
A valorização expressiva da Argentina após a eleição de Javier Milei, acompanhada de um apoio notável dos EUA, serve como um caso de estudo. Essa situação demonstra como guinadas políticas à direita podem gerar ganhos significativos em ativos de países em desenvolvimento. Agora, investidores buscam replicar esse sucesso em outros mercados.
Pramol Dhawan, da Pacific Investment Management Co., observa uma “potencial mudança de tendência para a direita na América Latina”. Ele ressalta que, caso essa tendência se confirme, os ativos podem apresentar um desempenho superior, contrastando com os retornos observados em mercados como Brasil e Colômbia.
Chile, Colômbia e Brasil, importantes economias da região, realizarão eleições presidenciais nos próximos meses. Investidores estão atentos à possibilidade de uma mudança para abordagens mais favoráveis ao mercado nesses países, o que poderia impulsionar os ativos locais.
Além da Argentina, países como El Salvador e Equador, percebidos como mais alinhados aos interesses dos EUA, também estão no radar. Títulos em dólar desses três países já proporcionaram retornos atraentes desde a eleição de Trump, superando a média dos mercados emergentes.
Fundos de hedge especializados em apostas eleitorais, como a Zaftra, têm obtido resultados expressivos. Felipe Sze, gestor de portfólio da ASA, destaca o sucesso do fundo ao prever a vitória de Milei e ao apostar no peso chileno antes do primeiro turno das eleições no Chile.
Petar Atanasov, da Gramercy Funds Management, destaca a visão da administração Trump sobre a América Latina como uma área de influência dos EUA. Ele acredita que o Chile precisa recuperar o atraso no mercado cambial e que uma melhora nas relações com os EUA seria positiva.
Embora a proximidade com os EUA não garanta automaticamente o sucesso, o “fator Trump” tem exercido influência nos mercados em desenvolvimento. A possibilidade de uma postura mais dura em relação à Venezuela, por exemplo, impulsionou os títulos inadimplentes do país, refletindo a expectativa de uma possível mudança de regime.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






