A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil elevou o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após declarações sobre punições a bancos brasileiros que aplicarem sanções estrangeiras sem aval da Justiça brasileira. A representação diplomática expressou seu posicionamento em nota enviada ao Metrópoles nesta quinta-feira (21/8).
Os EUA reiteraram o compromisso de responsabilizar violadores de direitos humanos através de instrumentos como a Lei Global Magnitsky. “Essas sanções impostas pela legislação americana são ferramentas essenciais de responsabilização e não podem ser enfraquecidas sem gerar consequências financeiras significativas”, advertiu a embaixada, demonstrando preocupação com as implicações das declarações do ministro.
Além de se opor às declarações de Moraes, a embaixada lançou um questionamento direto ao governo brasileiro: “Os líderes eleitos do Brasil agirão de forma decisiva para se opor a essa situação?”. Essa indagação surge em um momento em que a oposição tenta pautar o impeachment de Moraes no Senado, liderada por alas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Até o momento, o movimento pró-impeachment já reuniu 41 assinaturas, um número considerado simbólico, uma vez que a aprovação da medida depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e da obtenção de 54 votos favoráveis para avançar. O cenário político se intensifica com a reação da embaixada americana.
Moraes, sancionado com base na Lei Magnitsky, declarou à Reuters que a Justiça brasileira poderá punir instituições financeiras que acatarem bloqueios ordenados pelos EUA. Essa retaliação tem como pano de fundo o julgamento de Bolsonaro, acusado de liderar uma organização criminosa que teria tentado um golpe de Estado em 2022.
Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, atua em articulações com autoridades americanas para buscar sanções contra autoridades brasileiras, em busca de uma intervenção no processo judicial sobre a tentativa de golpe. A tensão entre os poderes e a influência externa ganham destaque no cenário político nacional.
Fonte: http://www.metropoles.com






