O etanol ressurge como peça-chave nas complexas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Temores no setor sucroenergético brasileiro indicam que o governo Trump pode usar a taxação do etanol como moeda de troca. O objetivo seria diminuir ou eliminar a tarifa de 18% imposta pelo Brasil sobre a importação do etanol americano.
A possibilidade ganhou força após a visita do chanceler Mauro Vieira ao secretário de Estado americano Marco Rubio. Embora os detalhes da conversa permaneçam em sigilo, fontes indicam que o tema do etanol pode ser um trunfo nas negociações. Esse cenário acendeu um alerta no setor sucroenergético brasileiro, que teme concessões no mercado de biocombustíveis.
Desde fevereiro, Trump tem expressado sua insatisfação com o que considera uma “injustiça” tarifária. Atualmente, o etanol brasileiro paga uma taxa de 2,5% para entrar nos Estados Unidos, enquanto o produto americano enfrenta uma alíquota de 18% ao entrar no Brasil. A pressão de produtores de milho, base do etanol norte-americano, tem aumentado, impulsionada por dificuldades em escoar a safra.
Dudu Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, produtor de biodiesel, observou que os EUA estão enfrentando dificuldades para escoar o milho, especialmente para a China. “Por isso, Trump precisa resolver esse impasse, que é uma demanda dos produtores locais”, afirmou.
A possível redução das tarifas abriria um canal de exportação para o Brasil. O Congresso americano discute ampliar a mistura do etanol de 10% (E10) para 15% (E15) durante todo o ano. Essa medida aumentaria a demanda interna e, sem barreiras no mercado brasileiro, o excedente de etanol dos Estados Unidos teria destino certo.
Mesmo com a tarifa de 18%, a consultoria Datagro projeta que os Estados Unidos devem exportar 650 milhões de litros de etanol para o Brasil na safra 2025/26. Esse número representa um crescimento de 160% em relação à safra anterior. A elevação se explica pela alta da mistura obrigatória na gasolina brasileira e pela quebra na produção de etanol de cana.
Caso a tarifa de importação fosse zerada, o etanol americano teria uma vantagem imediata no Nordeste, região com déficit estrutural de oferta. O produto poderia chegar até 15% mais barato que o nacional e com logística facilitada pela proximidade com Houston. Esse movimento reduziria a necessidade de transferências de etanol do Centro-Sul para o Norte e Nordeste.
Entretanto, gigantes brasileiras do setor sucroenergético argumentam que uma redução abrupta da tarifa colocaria o etanol americano em vantagem competitiva. A alegação é de que os subsídios concedidos aos produtores de milho nos EUA distorcem a competição no mercado de biocombustíveis.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






