As ações da Azul (AZUL4) e da Gol (GOLL54) surpreenderam o mercado nesta sexta-feira (26), registrando um forte aumento. O impulso veio após o anúncio da Abra, controladora da Gol, sobre a desistência formal do processo de fusão com a Azul. Adicionalmente, as empresas comunicaram a rescisão do acordo de codeshare que visava otimizar suas rotas aéreas desde maio de 2024.
No encerramento do pregão, os papéis da GOLL54 apresentaram alta de 5,31%, cotados a R$ 5,95. Já a AZUL4 teve um salto ainda mais expressivo, com valorização de 17,14%, alcançando R$ 1,23. O fim das negociações, que vinham sendo acompanhadas de perto pelo mercado, gerou reações diversas entre analistas.
A Genial Investimentos avaliou que a decisão expõe as dificuldades de consolidação no setor aéreo, especialmente considerando o processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos. Para a corretora, o cenário de incertezas e a complexidade da situação financeira da Azul pesaram na decisão da Abra.
Além disso, a Genial considera que a desistência pode ter sido influenciada por uma possível resistência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão já havia manifestado preocupações em relação aos acordos de codeshare, conforme também destacado por analistas do Bradesco BBI, que apontaram para uma possível redução na conectividade entre as empresas.
Contudo, o Bradesco BBI adotou uma postura mais neutra em relação ao anúncio, argumentando que a Gol acaba de sair do processo de recuperação judicial e está focada na execução de seu plano de negócios, que não dependia da fusão. No caso da Azul, os analistas ressaltam que a companhia permanece concentrada em sua reestruturação, também sem depender de uma combinação de negócios. O banco manteve sua recomendação de venda para ambas as empresas, com preços-alvo de R$ 0,50 para Azul e R$ 4 para Gol.
As negociações haviam começado em janeiro, com a assinatura de um memorando de entendimentos entre Abra e Azul. Segundo a Abra, as conversas não avançaram significativamente devido ao foco da Azul em seu processo de Chapter 11 nos Estados Unidos. A holding enfatizou que “as partes não tiveram discussões significativas ou progrediram em uma possível operação de combinação de negócios por vários meses”.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






