A França intensificou sua ofensiva contra a chamada “frota fantasma” russa, apreendendo o petroleiro Boracay, suspeito de burlar as sanções internacionais impostas à Rússia. O capitão da embarcação, um cidadão chinês, enfrentará julgamento por desobediência à autoridade policial, em um caso que expõe as estratégias e os riscos envolvidos na manutenção do fluxo de petróleo russo em meio à guerra na Ucrânia. A audiência está agendada para 23 de fevereiro de 2026, no tribunal de Brest, conforme anunciado pelo Ministério Público após a prisão preventiva do comandante a bordo do navio.
O Ministério Público de Brest iniciou uma investigação formal sobre o Boracay, focando na falta de comprovação da nacionalidade e da bandeira da embarcação, além da recusa em cumprir ordens policiais. O capitão e seu imediato, ambos de nacionalidade chinesa, foram detidos. No entanto, apenas o capitão será processado judicialmente, enquanto o segundo tripulante, considerado como tendo apenas seguido as ordens, foi liberado.
Imobilizado na costa da Bretanha, o Boracay é peça central em uma investigação sobre a suposta participação na “frota fantasma” russa. Essa frota, que teria surgido após a invasão da Ucrânia, tem como objetivo permitir que a Rússia contorne as sanções internacionais e continue exportando petróleo. O Kremlin, por sua vez, afirmou não possuir informações sobre o navio, mas criticou o que considera ações provocativas de alguns países estrangeiros.
A dimensão dessa “frota fantasma” é considerável. A União Europeia estima que ela seja composta por 444 navios, enquanto o Reino Unido já sancionou 500 embarcações desde fevereiro de 2022. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram sanções a 183 navios.
De acordo com o governo britânico, a “frota fantasma” engloba navios envolvidos em operações ilegais destinadas a contornar sanções, evitar normas de segurança ou ambientais, driblar custos de seguros ou realizar outras atividades ilícitas. Essas “frotas da sombra” já existiam antes da guerra na Ucrânia, sendo utilizadas por países como Irã, Venezuela e Coreia do Norte, todos sob sanções petroleiras americanas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, intensificou o debate ao pedir que a Europa “aumente a pressão” sobre a frota fantasma russa. Ele ressaltou a importância de restringir a capacidade da Rússia de financiar seu esforço de guerra na Ucrânia. “É muito importante aumentar a pressão sobre essa frota fantasma, porque isso claramente reduzirá a capacidade da Rússia de financiar seu esforço de guerra na Ucrânia”, disse Macron, antes de uma cúpula europeia em Copenhague.
O petroleiro Boracay, que ostentava bandeira do Benin no momento da apreensão na França, já havia sido incluído na lista de sanções da União Europeia. Segundo o site especializado The Maritime Executive, o navio também estaria envolvido nos misteriosos voos de drones que interromperam o tráfego aéreo na Dinamarca em setembro.
Fonte: http://www.metropoles.com






