Gisèle Pelicot enfrenta na justiça homem acusado de estupro em caso que chocou a França

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Um ano após o escândalo dos “estupros de Mazan” ganhar repercussão internacional, Gisèle Pelicot, vítima no caso, se prepara para enfrentar um dos acusados em um julgamento de segunda instância que terá início em 6 de outubro, em Nîmes, na França. Aos 72 anos, Pelicot demonstra determinação em seguir com o processo até o fim, buscando justiça pelos crimes que sofreu.

“Ela preferiria não passar por essa provação novamente”, afirmou Antoine Camus, um dos advogados de Pelicot, à AFP. O advogado acrescentou que a presença de Gisèle no tribunal visa “afirmar que estupro é estupro, que não existem ‘estupros menores'”. A coragem de Pelicot a transformou em um símbolo na luta contra a violência sexual.

O caso ganhou notoriedade após a revelação de que Gisèle Pelicot foi drogada com ansiolíticos por seu ex-marido durante uma década. Em seguida, ela foi estuprada por ele e por dezenas de homens recrutados online, principalmente na residência do casal em Mazan. O julgamento em Nîmes marca uma nova etapa nesse processo judicial complexo e doloroso.

Diferente do primeiro julgamento, onde enfrentou dezenas de acusados simultaneamente, Pelicot agora confrontará apenas Husamettin D., que aguarda o julgamento em liberdade. Ele foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão, mas obteve o direito de aguardar o recurso em liberdade por motivos de saúde. Durante o primeiro julgamento, Husamettin D. se defendeu, alegando: “Não sou um estuprador, isso é um peso muito grande para mim.”

A defesa de Husamettin D. alega que ele foi manipulado por Dominique Pelicot, ex-marido de Gisèle e figura central no caso. Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão e não recorreu da sentença. Ele será chamado como testemunha neste novo julgamento, sendo transferido da prisão para depor. Sua advogada, Béatrice Zavarro, informou que ele não pretende mudar sua postura, reafirmando as declarações feitas no primeiro julgamento: “Sou um estuprador, e todos os homens nesta sala são estupradores”.

O caso dos “estupros de Mazan” atraiu a atenção de mais de 100 jornalistas de todo o mundo, impulsionando debates sobre violência sexual, consentimento, submissão química e a definição jurídica de estupro. Ao optar por um julgamento público, Gisèle Pelicot transformou sua dor em uma poderosa ferramenta de conscientização e se tornou um ícone feminista global, inspirando mulheres a denunciarem e combaterem a violência sexual.

Fonte: http://www.metropoles.com