A China está reconfigurando o cenário global do agronegócio ao reduzir drasticamente suas importações de soja dos Estados Unidos. Essa mudança estratégica abre um precedente importante para o Brasil, que se consolida como um fornecedor alternativo e competitivo. A American Farm Bureau Federation, entidade que representa milhões de agricultores nos EUA, aponta essa retração como um claro sinal de tensão no comércio agrícola entre as duas potências.
Dados da American Farm Bureau Federation revelam uma queda expressiva nas compras chinesas de soja americana. Em 2022, a China importou 26,5 milhões de toneladas de soja dos EUA, representando cerca de 50% do total de suas importações. Contudo, até setembro de 2023, esse volume despencou para apenas 5,8 milhões de toneladas. Essa mudança abrupta reflete uma estratégia de diversificação de fornecedores por parte da China.
“Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido gradualmente sua dependência dos Estados Unidos, voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, alerta a American Farm Bureau Federation. O Brasil, por sua vez, aproveitou a oportunidade, vendendo mais de 77 milhões de toneladas de soja para a China nos nove primeiros meses de 2023. Esse desempenho notável demonstra a capacidade do Brasil de atender à demanda chinesa.
Além da soja, a China também diminuiu as compras de outros produtos agrícolas dos EUA, como milho, trigo, carne suína e algodão. O Departamento de Agricultura dos EUA estima que as exportações agrícolas para a China atinjam US$ 17 bilhões em 2023, uma queda de 30% em relação ao ano anterior e de mais de 50% em comparação com 2021. Para 2024, a projeção é ainda mais pessimista, com as exportações somando apenas US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.
Diante desse cenário desafiador, produtores de soja dos EUA, representados pela Associação Americana da Soja (ASA), apelaram ao então presidente Donald Trump por um acordo comercial com a China. “Os produtores de soja estão sob estresse financeiro extremo. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos agricultores estão pagando muito mais por insumos e equipamentos”, dizia a carta da ASA. O futuro das relações comerciais entre os dois países e seus impactos no mercado global de soja permanecem incertos.
Fonte: http://www.metropoles.com






