O frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas enfrenta um momento crítico. A dificuldade do grupo extremista em localizar e recuperar os corpos de reféns israelenses em Gaza adiciona uma camada de tensão ao acordo. A troca de reféns é parte fundamental da primeira fase do plano para pôr fim ao conflito, mediado por Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos.
A incapacidade do Hamas em cumprir integralmente essa etapa tem gerado acusações de violação do acordo por parte de Israel. A situação eleva o risco de um colapso nas negociações, com consequências imprevisíveis para a região.
Na última quarta-feira, o Hamas declarou ter entregue todos os corpos de reféns aos quais teve acesso, além dos prisioneiros vivos. Contudo, admitiu que só conseguiu recuperar os corpos localizados na Faixa de Gaza. Até a última sexta-feira, Israel havia recebido os corpos de nove dos 28 reféns mortos e libertado os 20 reféns vivos.
As pressões aumentam à medida que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dos principais mediadores, endurece o tom. Em declarações recentes, Trump alertou o Hamas, afirmando que “se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, o que não era o acordo, não teremos escolha a não ser entrar e matá-los”.
João Miragaya, especialista em Oriente Médio, avalia que as chances de um retorno à guerra são baixas, principalmente devido ao envolvimento dos EUA. Segundo ele, o governo Trump não pode apoiar um novo conflito, pois “iria contrariar as demandas dos seus aliados do Oriente Médio, que são o Catar, a Turquia e o Egito”, países que atuaram como mediadores no cessar-fogo.
Enquanto isso, o Hamas agradeceu aos países que colaboraram com o cessar-fogo e pediu que Catar, Turquia e Egito pressionem Israel para avançar nas próximas fases do acordo. O grupo solicita a entrada de ajuda humanitária, a reabertura da fronteira de Rafah e o início urgente da reconstrução de Gaza.
Fonte: http://www.metropoles.com






