O mercado de garantias locatícias, que movimenta cerca de R$ 300 milhões anuais, está em alerta. O aumento da inadimplência no setor imobiliário, saltando de 3,09% em março para 3,59% em junho, acendeu o sinal vermelho e impulsionou um movimento de consolidação entre as empresas do ramo.
A recente saída do QuintoCred, produto de garantia do Quinto Andar, evidenciou a pressão sobre o setor. Em contrapartida, a Loft, especializada em garantias, absorveu a carteira da QuintoCred e planeja alcançar 650 mil contratos de fiança de aluguel até 2025, um aumento significativo em relação aos atuais 500 mil. A Loft já havia adquirido a CrediPago em 2021, mostrando sua estratégia de crescimento no mercado.
Douglas Vecchio, fundador da Onda (antiga Onda Segura), ressalta a necessidade de adaptação do mercado diante do aumento da inadimplência. “A digitalização foi importante, e o conhecimento em crédito e risco também. Mas não se pode deixar de lado o contato humano na hora da locação”, afirma Vecchio.
Empresas como o Grupo OLX, dono dos portais Zap, Viva Real e OLX, optaram por parcerias estratégicas, como o acordo com a Creditas. Essa colaboração visa oferecer garantias locatícias às imobiliárias da plataforma, aproveitando a expertise da Creditas em avaliação de risco e tecnologia. Daniel Ricci, head de soluções imobiliárias da Creditas, enfatiza a importância da análise de risco e do capital para sustentar a operação.
Sandro Westphal, vice-presidente da Loft, também concorda que escala, capital e tecnologia são cruciais para a sobrevivência no mercado. “Sem isso não é fácil manter a operação em pé. Por isso vemos uma concentração natural entre os maiores”, salienta o diretor. A Loft, com meio milhão de contratos ativos, busca consolidar sua liderança, inclusive com produtos como o Garantia Investe, que oferece rendimento sobre o valor da garantia.
Para o advogado Eduardo Brasil, sócio do escritório Fonseca Brasil, a mudança no mercado sinaliza uma fragilidade no ambiente regulatório das garantias digitais. “A ausência de um marco legal específico abre espaço para operadores sem lastro financeiro ou governança adequada, o que expõe locadores e imobiliárias a riscos sistêmicos”, adverte o advogado. A falta de clareza jurídica pode dificultar o avanço do setor, que atualmente atende apenas 40% do mercado.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






