A divulgação dos dados de inflação de setembro pelo IBGE reacendeu as discussões sobre o futuro da taxa Selic. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou um comportamento considerado estável, o que levanta a possibilidade de um ciclo de cortes na taxa básica de juros. Contudo, especialistas ponderam que o Banco Central deve manter a cautela nos próximos meses.
De acordo com analistas de mercado, o corte da Selic pode ocorrer no primeiro trimestre de 2026. Em setembro, os preços de bens e serviços no país tiveram um aumento de 0,48%, revertendo a deflação de 0,11% registrada em agosto. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 5,17%, ainda acima do teto da meta estabelecida, que é de 4,5%.
Apesar da alta geral, alguns economistas notam sinais positivos nos dados. André Valério, economista sênior do Banco Inter, destaca que “a média dos núcleos desacelerou para 0,19%, menor valor desde março de 2024”. Ele acrescenta que, mesmo com a pressão da energia elétrica, a inflação de serviços apresentou recuo, indicando uma dinâmica inflacionária mais benigna.
Entretanto, a maioria dos especialistas concorda que o resultado não deve levar a mudanças imediatas na política monetária. “O Copom ainda se mostra cauteloso com os ganhos na inflação e deverá optar por uma abordagem restritiva por mais tempo”, afirma Valério. A expectativa é que o Banco Central aguarde mais evidências de que o aperto monetário está surtindo efeito na economia.
Outros fatores domésticos também são levados em consideração. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, ressalta que “fatores domésticos, como o mercado de trabalho bastante aquecido e a nossa projeção de um câmbio mais depreciado, devem continuar pesando sobre a inflação”. Essa perspectiva reforça a cautela em relação a cortes de juros mais cedo.
Ainda assim, há quem veja espaço para flexibilização no futuro próximo. Moreno projeta que o ciclo de cortes da Selic pode começar em março de 2026, com a taxa de juros terminando o ano em 13%. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, avalia que o IPCA de setembro “confirma o que o mercado já antecipava: uma aceleração pontual da inflação”, mas que os núcleos de inflação seguem comportados.
Igor Cadilhac, economista do PicPay, ressalta que o resultado foi “melhor do que o esperado”, mas defende a manutenção da Selic em 15% pelo menos até 2026. Maykon Douglas, economista, observa que a desaceleração nos preços dos serviços subjacentes reflete fatores temporários, mantendo o Copom cauteloso em relação ao corte de juros.
Fonte: http://www.metropoles.com






