Liquidação do Banco Master: Medo e Desconfiança Abalam o Mercado Financeiro

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A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, representou a maior intervenção da história no sistema financeiro brasileiro. Embora não tenha sido totalmente inesperada para os agentes do mercado, a medida pegou muitos investidores de surpresa, especialmente após a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga possíveis fraudes bilionárias.

Sheila Duarte, uma analista contábil de 39 anos, é uma das 1,6 milhão de pessoas que investiram em CDBs do Banco Master, atraídas pela remuneração de 140% do CDI. Ao todo, Sheila investiu R$ 128 mil no conglomerado, incluindo R$ 30 mil no Will Bank, que, apesar de pertencer ao mesmo grupo, opera sob a licença do Banco Master Múltiplo, este sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet).

Os CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos, nos quais o investidor empresta dinheiro à instituição em troca de juros. A rentabilidade e a liquidez variam conforme o tipo de CDB. Já o CDI é uma taxa de referência utilizada em transações interbancárias, diretamente ligada à taxa Selic.

Felizmente, Sheila está protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma instituição privada que assegura até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira em casos de falência. “Investi sob orientação de um profissional, mas sempre questiono tudo e me informo”, relata Sheila, destacando a importância de conhecer o próprio perfil de investidor e ser prudente.

Economistas e analistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que a crise do Banco Master não foi exatamente uma surpresa para quem acompanhava a trajetória da instituição. A captação agressiva de recursos, com remunerações elevadas, já indicava a possibilidade de intervenção. Tito Gusmão, CEO da Warren, afirma: “O mercado ganhou bastante dinheiro com isso. Talvez os reguladores tenham sido lentos”.

Corretoras como Nubank, BTG e XP Investimentos distribuíram grande parte dos CDBs do Banco Master, atraídas pelas altas comissões oferecidas. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, critica a demora na reação do mercado: “Faltou atenção por parte de todo mundo. Deveria ter sido captado antes pelos técnicos do BC”.

Embora não represente um risco sistêmico para o sistema bancário, a liquidação do Banco Master terá um impacto significativo no FGC. Estima-se que o ressarcimento aos clientes possa ultrapassar R$ 50 bilhões. Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, questiona: “Como esses caras conseguiram entrar ali, nessa magnitude e proporção? A saúde do fundo é a maior preocupação agora”.

A crise do Banco Master também gera pânico entre os investidores, que buscam a segurança dos grandes bancos. Hugo Queiroz alerta para a possibilidade de novos casos semelhantes no futuro: “Vão acontecer outros casos nos próximos anos ou décadas, e o investidor precisa ter isso em mente”. Diante desse cenário, a educação financeira e a análise criteriosa das instituições financeiras são fundamentais para proteger os investimentos.

Fonte: http://www.metropoles.com