O mercado financeiro brasileiro exibiu uma leve dose de otimismo nesta sexta-feira (3/10), embora a estabilidade tenha sido a tônica do dia. O dólar registrou uma modesta queda de 0,07% em relação ao real, fixando-se em R$ 5,33. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com uma alta discreta de 0,17%, atingindo 144.200 pontos.
Analistas apontam que dois fatores principais influenciaram as decisões dos investidores no Brasil: o prolongamento do “shutdown” do governo nos Estados Unidos, e a persistência de preocupações relacionadas ao aumento do risco fiscal no cenário doméstico. A paralisação do governo americano, já em seu terceiro dia, decorre da falta de consenso no Congresso sobre a aprovação do orçamento.
A ausência de acordo em Washington impactou diretamente a divulgação de dados cruciais sobre o mercado de trabalho americano, incluindo o aguardado relatório “payroll”. A suspensão da divulgação dessas informações, devido à paralisação de serviços públicos, gerou incerteza entre os investidores, que utilizam esses dados para calibrar suas expectativas em relação a futuros cortes de juros nos EUA.
Conforme Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, o mercado de juros futuros reflete a apreensão com a política fiscal do governo. “O movimento reflete a cobrança extra do mercado diante de um governo que sinaliza mais renúncia tributária e novas despesas, como a isenção de IR e discussões sobre subsídios”, afirma Iarussi, evidenciando a preocupação do mercado com a trajetória fiscal do país.
No âmbito interno, o temor de uma deterioração das contas públicas persiste, especialmente após a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo analistas, essa medida pode impulsionar o consumo e, consequentemente, elevar os riscos inflacionários, exigindo uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, complementa, “O movimento foi marcado por um dia de volatilidade contida, em meio ao prolongamento do shutdown nos EUA, que adiou a divulgação de indicadores-chave como o payroll”, demonstrando como fatores externos e internos se entrelaçam na dinâmica do mercado.
Fonte: http://www.metropoles.com






