A morte de um sócio pode ser um golpe devastador para qualquer empresa, especialmente no Brasil, onde a maioria dos negócios são Sociedades Limitadas (LTDA) formadas por pessoas. Segundo o Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI), mais de 90% dessas LTDAs são compostas por apenas dois sócios, tornando a sucessão um ponto crítico para a sobrevivência. Mas como se proteger desse cenário?
O seguro de vida empresarial surge como uma ferramenta estratégica para mitigar os riscos sucessórios e garantir a continuidade do negócio. Eduardo Vieira, advogado do Vieira e Serra Advogados, destaca a importância dessa proteção: “O Brasil é feito de sociedade de pessoas… Mas quando a pessoa falta é um problema”. A ferramenta permite que a empresa se prepare financeiramente para um momento delicado.
Essa preocupação se intensifica quando consideramos o peso das empresas familiares na economia brasileira. Elas representam cerca de 90% dos negócios, contribuindo com 65% do PIB e gerando 75% dos empregos formais, segundo dados do IBGE e Sebrae. No entanto, a transição entre gerações é um desafio: apenas 30% sobrevivem à segunda geração, e menos de 3% chegam à quarta, conforme levantamento da PwC e Banco Mundial.
A solução passa pela formalização de um seguro de vida vinculado a cada sócio, tendo a empresa como beneficiária, desde a sua fundação. Em caso de falecimento, essa apólice permite à empresa pagar os herdeiros pela cota do sócio sem comprometer o caixa, evitando a entrada de sócios indesejados ou conflitos na gestão. A indenização do seguro garante liquidez imediata, sem depender de inventário, um processo lento e oneroso.
De acordo com Daniela Poli Vlavianos, do Arman Advocacia, essa estrutura reduz litígios sucessórios, respeita o direito dos sucessores à apuração de haveres e preserva o pacto societário. Gislaine Santos, da empresa de seguros Onda, reforça que acordos prévios, como *buy-sell agreements*, permitem aos sócios remanescentes adquirir a participação do falecido, com os herdeiros sendo indenizados de forma justa.
Nos últimos anos, empresários têm demonstrado maior interesse no planejamento sucessório, impulsionados pela pandemia. “Empresas formadas já estão procurando isso, mas as que estão em formação também podem se antecipar”, afirma Vieira, ressaltando que o seguro é um sinal de preparo e governança. O custo de apólices bem estruturadas é acessível, considerando o impacto financeiro e emocional de uma sucessão mal conduzida.
O seguro de vida empresarial oferece cobertura em vida, como em casos de doenças graves, garantindo a liberação antecipada do valor. “O seguro é garantia paralela: não entra no inventário, não tem penhora, oferece liquidez imediata e proteção juridicamente limpa”, completa Vieira. Dessa forma, o seguro de vida empresarial se consolida como uma ferramenta essencial para a continuidade das empresas.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






