Novo Crédito Imobiliário Ameaça o Reinado das LCIs: Especialistas Preveem Queda nas Emissões e Impacto nas Taxas

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A partir de 2027, uma mudança nas regras do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN) promete agitar o mercado de crédito imobiliário. Os bancos não serão mais obrigados a destinar 65% dos depósitos de poupança para o setor, abrindo caminho para novas fontes de captação. Especialistas já preveem impactos significativos nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) a partir de 2025.

A principal mudança reside na maior liberdade que os bancos terão para diversificar suas fontes de recursos. Embora a transição seja gradual, analistas acreditam que a poupança ganhará competitividade, impactando diretamente as LCIs. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, “as LCIs deixam de ser o único instrumento privilegiado para captar recursos imobiliários, o que pode pressionar seus spreads”.

As LCIs ganharam destaque em 2025, com emissões crescendo 25% no primeiro semestre em comparação com o ano anterior. No entanto, essa ascensão ocorreu em paralelo à estagnação dos depósitos na poupança, impulsionada por retornos menos atrativos e maior educação financeira dos investidores. A questão agora é: como as novas regras afetarão as taxas das LCIs?

Robson Casagrande, especialista em investimentos da GT Capital, prevê que a poupança retomará seu papel como principal fonte de financiamento imobiliário. Isso, por sua vez, levará a uma redução gradual das emissões de LCIs já em 2025. “Sem dúvida, a tendência é negativa para os retornos”, afirma Casagrande, indicando que os prêmios oferecidos pelas LCIs devem diminuir à medida que a poupança se torna mais competitiva.

Enquanto Casagrande antecipa uma compressão das taxas, Lima, da Ouro Preto, vislumbra um cenário diferente. Ele acredita que os emissores de LCIs precisarão elevar os spreads para manter o produto atrativo, especialmente se a poupança absorver recursos a custos mais baixos. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP, compartilha dessa visão, esperando um aumento nos prêmios devido à maior competição e incertezas regulatórias.

Diante das mudanças, especialistas ponderam sobre o futuro das LCIs. Casagrande reconhece que elas “ainda têm muito valor”, mas adverte que sua vantagem comparativa em relação a outros investimentos pode diminuir. Patzlaff concorda que a diferença entre LCIs e outras aplicações tenderá a se estreitar.

Apesar da incerteza, a expectativa é que os primeiros sinais de impacto nas LCIs sejam sentidos nos próximos meses, com ajustes gradativos até 2027. Como ressalta Casagrande, “o mercado precifica expectativas”, o que significa que os investidores devem ficar atentos aos próximos dados sobre emissões e spreads para avaliar as melhores oportunidades no mercado de renda fixa.

Fonte: http://www.infomoney.com.br