Os Estados Unidos enfrentam a quarta semana consecutiva de ‘shutdown’ sob a administração de Donald Trump, um impasse orçamentário que já se configura como a terceira maior paralisação governamental da história do país. A disputa entre republicanos e democratas, centrada no financiamento de programas de saúde e gastos públicos, tem paralisado a máquina federal, impactando drasticamente a vida de milhões de americanos.
O ‘shutdown’ já afetou cerca de 1,4 milhão de servidores públicos, com estimativas de prejuízos que chegam a US$ 2 bilhões por dia. Deste total, ao menos 900 mil funcionários foram afastados sem salário, enquanto outros 700 mil continuam trabalhando sem remuneração, em um cenário de crescente incerteza e instabilidade financeira. A situação se agrava com relatos de demissões em diversas agências.
A Casa Branca, por meio do Escritório de Gestão e Orçamento (OMB), confirmou o desligamento de aproximadamente 7 mil pessoas em agências como Agricultura e Comércio. Essa medida foi temporariamente suspensa por uma decisão judicial que a classificou como “motivada politicamente”, adicionando mais um capítulo à complexa crise.
Enquanto isso, o Senado americano, com maioria democrata, bloqueou pela 11ª vez a proposta republicana para reabrir o governo, aprofundando ainda mais o impasse legislativo. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, criticou a postura de Trump, acusando-o de “governar à distância” e de criar uma crise desnecessária. A pressão para que o presidente adote uma postura mais conciliadora e negocie uma solução para a crise aumenta a cada dia.
O jornalista e observador da Casa Branca, Fernando Hessel, em entrevista ao Metrópoles, ressaltou que o impacto econômico e social da paralisação ultrapassa o debate partidário. “O prejuízo disso tudo está estimado em US$ 2 bilhões por dia, e o impacto no PIB já chega a menos 0,4% neste trimestre”, afirmou. Ele ainda destacou o impacto desproporcional sobre comunidades minoritárias, como a negra, que representam uma parcela significativa da força de trabalho federal afetada pelos cortes.
Fonte: http://www.metropoles.com






